Supremo Tribunal Federal impede Bolsonaro de participar de posse de Trump

Jair Bolsonaro, ex-presidente brasileiro de extrema direita, teve seu passaporte confiscado em meio a investigações em curso, e o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou na última quinta-feira o pedido para devolvê-lo. O ex-mandatário, apelidado de “Trump dos Trópicos”, buscava autorização para comparecer à posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, marcada para 20 de janeiro.

A decisão foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que acatou a recomendação do procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco. Branco destacou o interesse público em manter Bolsonaro no Brasil, considerando os riscos de fuga diante das acusações que enfrenta. O STF afirmou que, como cidadão comum sem cargo público, Bolsonaro não tinha justificativa oficial para participar do evento.

Bolsonaro, presidente de 2019 a 2022, responde a múltiplas investigações, incluindo supostos esforços para reverter os resultados das eleições presidenciais de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva. Após sua derrota, Bolsonaro não reconheceu publicamente o resultado e deixou o país, dirigindo-se à Flórida antes da posse de Lula.

Em janeiro de 2023, apoiadores do ex-presidente invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília, vandalizando os prédios do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. Por conta de ações ligadas à tentativa de descredibilizar o sistema eleitoral, Bolsonaro foi impedido de se candidatar a cargos públicos até 2030.

Além disso, investigações da Polícia Federal acusam Bolsonaro de desvio de recursos públicos, uso indevido de informações sobre a vacinação contra a COVID-19 e planejamento de um suposto golpe para derrubar o estado democrático. Em novembro, ele e 36 aliados foram formalmente acusados de articular atos violentos contra as instituições.

Bolsonaro, no entanto, rejeita as acusações e alega ser vítima de "lawfare" — o uso estratégico do sistema legal para fins políticos. Em um comunicado nas redes sociais, ele comparou sua situação à de Trump, que enfrenta alegações semelhantes nos EUA. "Superarei esse ativismo judicial, assim como Trump está superando nos Estados Unidos", afirmou.

O ex-presidente também lamentou a decisão do STF, alegando que a proibição de sua participação no evento prejudica a imagem do Brasil no cenário internacional. "O convite de Trump simboliza os laços profundos entre duas das maiores democracias das Américas", declarou o gabinete de Bolsonaro.

A posse de Donald Trump deverá reunir líderes conservadores como Javier Milei, presidente da Argentina, e o deputado britânico Nigel Farage. Entre os convidados também estão figuras como Elon Musk, fundador da Tesla, e Jeff Bezos, criador da Amazon. O Brasil, por sua vez, será representado pela embaixadora Maria Luiza Viotti.

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