Os países do BRICS estão na mira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou nesta quinta-feira que imporá tarifas de 100% sobre produtos vindos do bloco caso persistam na tentativa de reduzir a dependência do dólar no comércio internacional. A declaração, feita na plataforma Truth Social, intensifica a pressão econômica dos EUA sobre nações emergentes que buscam alternativas ao sistema financeiro dominado pelo Ocidente.
Nos últimos anos, os membros do BRICS têm acelerado esforços para reduzir o uso de moedas de terceiros em transações bilaterais, especialmente após as sanções ocidentais que levaram ao congelamento das reservas russas em dólares e euros devido ao conflito na Ucrânia. O Kremlin considera que tais pressões apenas aceleram uma tendência global de desdolarização.
"A ideia de que os países do BRICS estão tentando se afastar do dólar enquanto ficamos parados assistindo acabou!", escreveu Trump. "Eles podem procurar outra nação trouxa." Ele ainda exigiu um compromisso de que o bloco não criará uma nova moeda ou apoiará qualquer outra que ameace a hegemonia do dólar.
Em resposta, a China reafirmou seu compromisso de expandir a cooperação dentro do bloco, enfatizando que o BRICS busca desenvolvimento e prosperidade, e não uma rivalidade com terceiros. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, afirmou que a cooperação entre mercados emergentes é fundamental para um crescimento sustentável.
A Índia, por sua vez, minimizou qualquer intenção de enfraquecer o dólar, com o chanceler Subrahmanyam Jaishankar reiterando que o país nunca defendeu a desdolarização. Da mesma forma, África do Sul negou qualquer plano para a criação de uma moeda comum no bloco.
No entanto, em 2023, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à ideia de uma moeda comercial dentro do BRICS, comparando-a ao euro na União Europeia. O bloco, que inicialmente contava com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, expandiu-se recentemente para incluir Egito, Etópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e, neste mês, a adesão plena da Indonésia.
Em meio à polêmica, Trump também cometeu uma gafe ao citar erroneamente a Espanha como integrante do BRICS durante uma coletiva na Casa Branca, após sua posse. "Vocês sabem o que é um país BRICS? Vão descobrir", declarou, antes de ameaçar o país europeu com tarifas comerciais.
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