O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu ao anunciar a transformação da prisão de Guantánamo, em Cuba, em um centro de detenção para imigrantes sem documentação. A declaração foi feita na quarta-feira, durante a assinatura da Lei Laken Riley, a primeira legislação significativa de seu segundo mandato.
A medida está alinhada com a promessa de campanha de Trump de realizar uma deportação em massa, mirando cerca de 11 milhões de imigrantes indocumentados. Muitos deles vivem nos EUA há décadas e desempenham papéis fundamentais em suas comunidades. A nova lei obriga o Departamento de Segurança Interna a deter imigrantes sem documentação que tenham sido presos ou acusados de crimes como roubo e furto, independentemente de condenação.
Durante o discurso na Casa Branca, Trump ampliou o escopo da legislação ao anunciar um decreto presidencial para adaptar a instalação militar de Guantánamo a um centro para 30 mil imigrantes. “Muitas pessoas nem sabem que temos essa capacidade lá”, afirmou.
Guantánamo e as críticas históricas
Desde sua criação, em 2002, a prisão de Guantánamo foi alvo de severas críticas de organizações de direitos humanos. A ONU chegou a classificá-la como um "capítulo sombrio" da história americana, apontando para práticas de tortura e detenção sem julgamento.
Em janeiro, o presídio completou 23 anos de funcionamento, com um número reduzido de prisioneiros. Durante o governo de Joe Biden, muitos detentos foram transferidos, restando apenas 15 na unidade. O ex-presidente Barack Obama tentou fechar a prisão, mas Trump manteve a instalação ativa com planos de ampliar seu uso.
Com a nova decisão, Trump reforça sua posição de endurecimento contra imigrantes. “Temos 30 mil vagas em Guantánamo para os criminosos ilegais mais perigosos. Alguns são tão problemáticos que nem confiamos que seus países os manteriam presos”, declarou o presidente.
Repercussão e críticas
A medida foi recebida com duras críticas de defensores dos direitos humanos, que alegam que a criminalização de imigrantes indocumentados ignora estudos demonstrando que essa população comete crimes em taxas inferiores às dos cidadãos nativos dos EUA.
A Lei Laken Riley foi nomeada em homenagem a uma jovem estudante de enfermagem da Universidade da Geórgia, assassinada enquanto corria em fevereiro de 2024. O responsável pelo crime era um imigrante sem documentação com histórico de prisões por furtos. A mãe de Laken, Allyson Phillips, discursou ao lado de Trump e, emocionada, agradeceu pela assinatura da lei. “Nenhuma lágrima trará Laken de volta, mas esperamos que sua história salve vidas”, disse.
O governo de Trump sustenta que a conversão de Guantánamo em um centro de detenção migratória "dobrará" a capacidade do país para lidar com imigrantes ilegais. No entanto, especialistas questionam se haverá recursos e pessoal suficientes para implementar a medida.
A diretora de política do American Immigration Council, Nayna Gupta, classificou a decisão como um ato de desespero. “Trump está buscando desesperadamente espaço para deter pessoas que não representam uma ameaça à segurança. É uma política cruel que desperdiça bilhões de dólares e torna o país menos seguro”, afirmou.
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