Batalha Judicial entre Elon Musk e OpenAI Pode Ir a Júri, Decide Juíza

Um tribunal federal dos Estados Unidos decidiu que partes do processo movido por Elon Musk contra a OpenAI – acusando a empresa de desviar-se de sua missão original sem fins lucrativos – podem avançar para julgamento. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers, de Oakland, na Califórnia, afirmou durante audiência nesta terça-feira que Musk terá de testemunhar pessoalmente e apresentar suas alegações a um júri. “Algo neste caso irá a julgamento”, declarou, comparando o embate a uma partida de xadrez corporativo entre o bilionário e o CEO da OpenAI, Sam Altman.

A disputa remonta a 2015, quando Musk cofundou a OpenAI com Altman, mas deixou a organização antes que ela decolasse. Em 2023, ele lançou a concorrente xAI, acusando a OpenAI de priorizar o lucro em vez de desenvolver inteligência artificial benéfica para a humanidade. O cerne do processo é uma batalha interna de poder em 2017, revelada por e-mails nos quais Musk tentou assumir o cargo de CEO, mas foi barrado por cofundadores que temiam seu controle excessivo.

A OpenAI, que busca se tornar uma empresa com fins lucrativos para captar US$ 25 bilhões em investimentos (incluindo negociações com a SoftBank), argumenta que a mudança é essencial para financiar modelos de IA avançados. Musk, porém, alega que a organização traiu seu propósito original. A juíza Rogers, conhecida por conceder liminares em casos de alto perfil como o Epic Games vs. Apple (2021), avalia agora um pedido para bloquear a transição antes do julgamento.

Enquanto isso, a pressão sobre a OpenAI aumenta. Além de Musk, o Escritório do Procurador-Geral da Califórnia e autoridades de Delaware investigam a conversão, considerada inusitada para uma empresa inicialmente sem fins lucrativos. “Não há precedentes para uma startup de capital de risco fazer essa mudança”, destacou Rose Chan Loui, especialista em filantropia da UCLA.

Para Altman, a resposta à ofensiva jurídica de Musk foi direta: “Ele deveria competir no mercado, não no tribunal”. Mas os riscos são altos: a reestruturação da OpenAI é condição para investimentos bilionários, e o desfecho do caso pode redefinir os limites entre ética tecnológica e interesses corporativos.

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