A decisão do presidente Donald Trump de impor tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio a partir de 12 de março de 2025 desencadeou uma crise comercial global, com aliados históricos dos EUA prometendo retaliações. Canadá, México e União Europeia lideram as críticas, classificando a medida como “temerária” e “contraproducente” em um momento de fragilidade econômica pós-pandemia.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, foi direta: “Lamentamos profundamente a decisão dos EUA. A UE agirá para proteger seus interesses”. O bloco já prepara medidas de resposta, assim como o México, onde o ministro da Economia Marcelo Ebrard afirmou que as tarifas “não se justificam”. Já o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau lembrou que 80% do alumínio importado pelos EUA vem de seu país, essencial para indústrias como defesa e energia: “Nossas economias são integradas. Isso prejudica a competitividade da América do Norte”.
Trump, porém, mantém o discurso de “América First”. Ao assinar o decreto, defendeu as tarifas como questão de “segurança nacional” e estímulo à produção doméstica: “Estávamos sendo espancados por amigos e inimigos. É hora de nossas indústrias voltarem”. A medida atinge principalmente Canadá, Brasil, México e Coreia do Sul – países que antes gozavam de isenções.
No Brasil, a associação Aço Brasil reagiu com surpresa, alertando que os impostos “não beneficiam nenhum dos lados”. Para pequenas empresas americanas, porém, o impacto é imediato. Sandra Payne, dona de uma fábrica no Colorado, desabafou: “Margens já são apertadas. Um aumento de 25% nos custos nos fará perder dinheiro”.
O Risco de Uma Guerra Comercial em Câmera Lenta
Especialistas temem um efeito dominó. Após décadas de integração, tarifas podem romper cadeias de suprimentos e inflacionar preços globais. Para Joseph Stiglitz, Nobel de Economia, “é um tiro no pé: consumidores pagarão a conta, e empregos podem migrar para a Ásia”.
O movimento revive um debate antigo: críticos de esquerda e direita nos EUA há anos acusam acordos de livre comércio de “exportar empregos” e “reduzir salários”. Trump, que desde os anos 1980 ataca a globalização, agora testa os limites dessa tese – com o mundo inteiro de olho.
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