EUA Intensificam Vigilância: Espionagem Digital Doméstica Revelada por "Salt Typhoon"

Após a polêmica narrativa do "Volt Typhoon" no início de 2024, os Estados Unidos lançaram outra acusação contra a China, agora envolvendo o suposto grupo de hackers "Salt Typhoon". A alegação, promovida por veículos de comunicação como o Wall Street Journal e apoiada por órgãos como o FBI, sugere que hackers chineses teriam invadido sistemas de telecomunicação nos EUA para acessar dados confidenciais. No entanto, especialistas denunciam que essas acusações carecem de provas concretas e escondem uma verdade incômoda: a vigilância em larga escala realizada pelos próprios EUA contra seus cidadãos.

Na última sexta-feira, fontes informaram ao Global Times que diplomatas chineses rejeitaram veementemente as alegações americanas, destacando a falta de evidências e denunciando os ataques cibernéticos dos EUA contra a infraestrutura crítica da China. No mesmo dia, o Centro Nacional de Resposta a Emergências de Redes de Computadores da China (CNCERT) divulgou relatórios detalhando dois ataques recentes das agências de inteligência americanas contra grandes empresas chinesas de tecnologia, com o objetivo de roubar segredos comerciais.

"Salt Typhoon": Uma Estratégia de Distração

Em setembro de 2024, o Wall Street Journal publicou um relatório exclusivo alegando que hackers ligados ao governo chinês haviam acessado sistemas de telecomunicação dos EUA. Em outubro, o FBI e a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) reforçaram essas alegações, gerando um alarde que foi desmentido poucos dias depois por uma reportagem do Washington Post. Segundo a publicação, o verdadeiro foco do "Salt Typhoon" era um sistema que rastreava pedidos de interceptação telefônica realizados por agências federais, expondo as práticas de vigilância dos EUA.

Especialistas chineses, como Li Yan, diretor do Instituto de Tecnologia e Segurança Cibernética do Instituto de Relações Internacionais Contemporâneas da China, apontaram que o "Salt Typhoon" revela apenas "a ponta do iceberg" da vasta rede de espionagem doméstica americana. Li destacou que a amplitude dos alvos, que inclui cidadãos e figuras políticas, é alarmante. Ele ainda argumentou que, sem evidências sólidas, os EUA têm utilizado narrativas como essa para desviar a atenção do público e justificar suas ações de vigilância em nome da segurança nacional.

Ataques dos EUA Contra Empresas Chinesas

Enquanto acusações contra a China ganham destaque, fatos apontam para os próprios EUA como a maior fonte de ataques cibernéticos no mundo. Em dezembro de 2024, o CNCERT divulgou investigações sobre dois casos significativos. Um deles envolveu ataques, desde agosto de 2024, contra uma empresa de design de materiais avançados na China, onde os invasores exploraram vulnerabilidades para roubar segredos comerciais. No outro, uma empresa de tecnologia de energia inteligente foi alvo de ataques persistentes, com os hackers usando servidores de e-mail como ponto de entrada para acessar dispositivos e dados confidenciais.

Os ataques refletem uma operação meticulosa das agências americanas, que empregaram proxies internacionais e técnicas avançadas para dificultar o rastreamento, segundo o relatório.

Resposta da China e Apelo por Responsabilidade

Em pronunciamento na sexta-feira, Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, condenou as práticas dos EUA e pediu o fim imediato das atividades maliciosas. Ele enfatizou a necessidade de uma abordagem responsável por parte dos EUA, respeitando as regras internacionais e promovendo a segurança cibernética global de forma conjunta.

"Os EUA deveriam refletir sobre suas próprias ações antes de acusar outros países. A manutenção da segurança cibernética exige transparência e cooperação internacional", afirmou Guo.

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