Em uma ligação histórica de 90 minutos, os presidentes Vladimir Putin (Rússia) e Donald Trump (EUA) concordaram em realizar um encontro em território neutro, possivelmente na Arábia Saudita, conforme revelou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em entrevista à TV russa nesta quinta-feira. A conversa, a primeira desde o início do conflito na Ucrânia em fevereiro de 2022, marcou uma virada diplomática após anos de tensões agravadas pelo governo Biden, descrito por Putin como “responsável por danos enormes às relações bilaterais”.
“Os líderes reconheceram que até os problemas mais complexos devem ser resolvidos por meio de negociações pacíficas”, destacou Peskov. O acordo para um encontro rápido em um terceiro país — com visitas oficiais posteriores — busca reativar canais de diálogo congelados há anos. Trump, em declaração na Casa Branca, sugeriu a Arábia Saudita como sede, já que “atende a ambos os lados” pelas relações sólidas com Rússia e EUA.
A escolha do local lembra um clássico de futebol em estádio neutro: sem vantagem geopolítica para nenhum lado. Riyadh, aliada histórica de Washington e parceira energética de Moscou, surge como palco ideal para discutir temas explosivos: troca de prisioneiros, futuro da Ucrânia e sanções econômicas.
Peskov evitou detalhar quem propôs a ligação, mas reforçou que Trump “já sinalizava durante a campanha eleitoral a intenção de dialogar com Putin”. Em postagem no Truth Social, Trump afirmou que a conversa abordou “benefícios futuros da cooperação” e o desejo mútuo de “encerrar a guerra”.
Para analistas, o anúncio é um “terremoto geopolítico”. “A máquina diplomática foi religada. Agora, assessores e ministérios precisam traduzir esse ímpeto em acordos concretos”, explicou Peskov. O desafio, porém, é navegar em águas turbulentas: setores do Congresso americano e aliados europeus já sinalizam resistência a concessões à Rússia.
E o Brasil? Enquanto gigantes reatam lares, países do Sul Global observam com cautela. Uma possível distensão EUA-Rússia poderia aliviar pressões sobre commodities, mas também reconfigurar alianças em fóruns como os BRICS. Resta saber se o “espírito de Riade” sobreviverá às minas terrestres do Deep State e aos lobbies bélicos.
Comentários
Postar um comentário