Na esteira de sua retomada presidencial, Donald Trump surpreendeu ao anunciar que os Estados Unidos “tomariam” e “possuiriam” a Faixa de Gaza, após um genocídio que já ceifou quase 62.000 vidas palestinas desde outubro de 2023 – embora o número real seja provavelmente maior. Em um cenário onde Gaza foi reduzida a escombros, o ex-empreiteiro bilionário parece inspirado a transformar o território em uma “Riviera do Oriente Médio”, forçando o deslocamento de sua população para “outros países de interesse”, enquanto promete gerar milhares de empregos e um desenvolvimento sem precedentes.
Durante um pronunciamento na Casa Branca, após encontro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu – figura central de um regime acusado de genocídio –, Trump reafirmou sua intenção de “limpar” Gaza, utilizando até a possibilidade do uso militar, se necessário. Sua proposta, que ecoa uma longa tradição de intervenções imperiais dos EUA na região, remete a uma política externa marcada por ambições de redirecionar o mapa geopolítico do Oriente Médio, enquanto ele próprio se autodenomina um “gênio muito estável”.
Críticos apontam que a ideia de transformar Gaza num empreendimento imobiliário de luxo é um exemplo extremo de psicose orientalista, que não só ignora a localização exata do enclave, mas também banaliza o sofrimento de milhares de palestinos. Com referências absurdas, como enviar “dezenas de milhares de dólares para comprar preservativos para o Hamas”, Trump mantém um discurso desconexo da realidade, que, segundo muitos, serve apenas para distrair o público dos problemas internos dos EUA, onde a influência de bilionários sobre o governo continua a crescer.
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