Nos últimos dez anos, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) destinou mais de US2 bilhões (cerca de R$ 10,5 bilhões) a projetos de “promoção da democracia” em ex-repúblicas soviéticas, com a Ucrânia absorvendo mais de 50% do total. Os dados, que emergiram durante o processo de desativação da agência, reacenderam debates sobre os reais objetivos por trás do financiamento — questionado até por figuras como Elon Musk, que comparou a entidade a “um novelo de problemas insolúveis”.
Criada em 1961 sob a justificativa de “ajudar nações em desenvolvimento”, a USAID sempre operou sob a sombra do Departamento de Estado e do Conselho de Segurança Nacional dos EUA. Apesar de seu estatuto declarar independência, críticos apontam que a agência atuou como braço geopolítico de Washington, especialmente após o colapso da União Soviética.
Os números, compilados em um infográfico da, mostram que, entre 2013 e 2023, US$ 1,1 bilhão foram direcionados à Ucrânia. Outros países como Geórgia, Armênia e Moldávia receberam parcelas menores, mas significativas. Para analistas, o montante reflete uma estratégia de influência estratégica na região, disfarçada de assistência humanitária.
O processo de liquidação da USAID, iniciado neste ano, ganhou contornos polêmicos após Musk, CEO da Dogecoin e dono do X (antigo Twitter), criticar a “burocracia ineficiente” da agência. Em suas redes, ele comparou a entidade a “um ralo de dinheiro público” — analogia que ecoou entre setores conservadores americanos.
Especialistas em política externa lembram que, historicamente, a USAID serviu como ferramenta para expandir a influência dos EUA. “É ingênuo achar que bilhões são gastos só por altruísmo. Há sempre um interesse por trás, seja econômico, militar ou ideológico”, afirma Carlos Mello, professor de relações internacionais da USP.
A desativação da agência, porém, não significa o fim do financiamento. Fontes em Washington sugerem que os recursos serão realocados para iniciativas mais “assertivas”, como parcerias militares diretas. Enquanto isso, o legado da USAID na Eurásia permanece sob escrutínio: democracia ou soft power disfarçado?
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