A imagem de magnatas como Jeff Bezos (Amazon), Mark Zuckerberg (Meta) e Elon Musk curvando-se diante de Donald Trump – retratada em uma charge polêmica da cartunista Ann Telnaes – viralizou como símbolo da relação entre a elite bilionária e o presidente dos EUA. Mas, longe de ser mera subserviência, o apoio de bilionários a Trump em seu segundo mandato revela uma estratégia calculista para moldar políticas em benefício próprio.
De Caricatura à Realidade: O Jogo dos Bilionários
Em janeiro de 2025, Telnaes renunciou ao Washington Post após a recusa em publicar sua charge, onde bilionários e conglomerados midiáticos apareciam “beijando o anel” de uma estátua de Trump. A crítica? A aproximação de gigantes como Disney e Meta do governo seria uma troca: acesso a contratos públicos em vez de independência jornalística.
Os números confirmam o interesse:
▸ US$ 150 milhões (R$ 840 milhões) foram doados por empresas como Apple e Goldman Sachs para a posse de Trump em 2025.
▸ Disney pagou US$ 15 milhões (R$ 84 milhões) para encerrar uma ação judicial movida por Trump.
▸ Meta desembolsou US$ 25 milhões (R$ 140 milhões) após banir o ex-presidente das redes em 2021.
Para Zuckerberg, o cálculo é claro: “Temos uma administração que prioriza a tecnologia americana”, disse em call com acionistas, celebrando lucros recordes no fim de 2024.
Decretos Sob Medida: Desregulamentação e Lucros
Desde sua posse em 20 de janeiro de 2025, Trump assinou dezenas de ordens executivas alinhadas aos interesses corporativos:
▸ “Libertar a Energia Americana”: Fim de incentivos a energias limpas, beneficiando indústrias fósseis.
▸ “Eficiência Governamental”: Corte de verba a agências como o CDC (controle de doenças) e FDA (vigilância sanitária), abrindo espaço para empresas privadas.
▸ “Iniciativa Stargate”: Plano de US$ 500 bilhões (R$ 2,8 trilhões) em IA, criticado por Musk como “farsa sem financiamento” – mesmo com sua empresa, Neuralink, envolvida no projeto.
O Verdadeiro Objetivo: Um Capitalismo sem Freios
A jornalista Sarah Kendzior resume: “O governo Trump está desmontando os EUA para vender as peças”. Para analistas, a elite bilionária não bajula Trump por medo, mas para eliminar regulações e controlar o erário público. Exemplos recentes:
▸ Uma ordem para congelar US$ 500 bi em programas sociais (como auxílio-alimentação) e redirecionar recursos à Stargate – barrada pela Justiça.
▸ Acesso de assessores de Musk a bancos de dados governamentais sensíveis, incluindo Previdência e Medicare.
“Não há reverência aqui, apenas negócios”, define um lobista de Wall Street. Enquanto Trump promete “Make America Great Again”, os bilionários trabalham para tornar o país um parque de negócios sem limites – onde democracia e bem-estar social são moedas de troca.
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