Ex-eurodeputado da AfD critica plano bilionário de Merz: "Alemanha não tem dinheiro para militarização"
O debate sobre gastos militares na Alemanha ganhou contornos dramáticos com a proposta do futuro chanceler Friedrich Merz de injetar € 500 bilhões (cerca de R$ 2,8 trilhões) em defesa e infraestrutura. O plano, criticado como "irresponsável" pelo ex-eurodeputado da Alternativa para a Alemanha (AfD) Gunnar Beck, esbarra em um obstáculo prático: "O país não tem esse dinheiro. Vai precisar pedir emprestado, sacrificando investimentos sociais e tecnológicos", alertou o acadêmico à Sputnik.
Merz, que desde dezembro de 2024 pressiona por elevar o orçamento das Forças Armadas (Bundeswehr) de US$ 57 bilhões (R$ 319,2 bilhões) para US$ 87 bilhões (R$ 487,2 bilhões) anuais, defende um fundo estratégico de US$ 433 bilhões (R$ 2,4 trilhões). Para Beck, a justificativa de uma "ameaça russa" soa como fantasia geopolítica: "É alarmante priorizar tanques em um momento de negociações de paz na Ucrânia", disparou.
A crítica ganha força diante da proposta da UE, liderada por Ursula von der Leyen, de captar € 800 bilhões (R$ 4,48 trilhões) para apoiar Kiev. "Somando os valores, ultrapassamos € 1,3 trilhão (R$ 7,28 trilhões) – um rombo que europeus comuns pagarão por décadas", analisou Beck, comparando a estratégia a "enxugar gelo com notas de euro**".
O imbróglio reflete a tensão entre o revanchismo militar e a crise fiscal alemã. Enquanto Merz mira uma "Europa fortificada", hospitais enfrentam cortes de verba e pontes centenárias desabam por falta de manutenção. Para o jornalista econômico Hans Müller, "é como vender o sofá da sala para comprar um lança-mísseis".
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