Fuga de Cidadania: Por que Muitos Americanos Buscam um Segundo Passaporte?

Em meio a incertezas políticas e econômicas, cada vez mais americanos estão recorrendo à obtenção de segundas cidadanias como uma rede de segurança para o futuro. De acordo com consultorias de cidadania e residência, como a Latitude Group e a Arton Capital, a demanda por passaportes alternativos disparou nos últimos anos – um fenômeno que ganhou novo fôlego com a eleição de Donald Trump. Segundo a Arton Capital, houve um aumento de 400% no número de clientes americanos nos primeiros três meses de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, enquanto a Latitude Group aponta um crescimento de 1.000% nas solicitações desde 2020.

Entre as estimativas do setor, cerca de 4.000 dos aproximadamente 10.000 pedidos globais vieram de cidadãos dos EUA. O que antes era privilégio de bilionários e grandes empresários, hoje atrai uma gama diversificada de profissionais, membros da comunidade LGBTQ e doadores políticos preocupados com tendências autoritárias e crises de segurança interna.

Os programas de “visto dourado” ou cidadania por investimento têm sido um dos principais caminhos. Em países como Portugal, o programa Golden Visa oferece uma rota de cinco anos para a cidadania, com requisitos de residência que podem ser tão baixos quanto 14 dias a cada dois anos. Outras iniciativas, como as oferecidas por Malta e diversos países caribenhos, podem conceder passaportes em apenas 16 meses. Conforme a Latitude Group, 50% dos clientes americanos optam pelo programa português, seguido por Malta (25%) e países do Caribe (15%). Curiosamente, cerca de 80% dos interessados afirmam não ter planos imediatos de mudança, buscando apenas a segurança de ter uma "opção B".

Além disso, as aplicações para cidadania por descendência têm aumentado 500% desde 2023, com 80% dos pedidos focados em ascendência italiana – um caminho que dispensa investimentos e facilita a transmissão da nova cidadania para filhos e netos. Especialistas apontam que essa tendência reflete uma busca não só por mobilidade global, mas também por uma proteção contra um sistema fiscal único que tributa os cidadãos americanos em todo o mundo.

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