O Iêmen virou palco de uma nova escalada bélica nesta quarta-feira, com os rebeldes Houthis relatando 17 ataques aéreos em províncias do norte e retaliando com ofensivas contra alvos militares dos EUA e de Israel. O conflito, que já dura nove anos, ganhou contornos ainda mais sombrios com a entrada em cena de drones, caças e a ameaça de um "ciclo sem fim" de violência.
Ataques Cruzados em Cadeia
Segundo a mídia alinhada aos Houthis, os bombardeios atingiram as regiões de Saada e Amran, incluindo o distrito de Al Salem. Ainda que detalhes sobre vítimas sejam escassos, os rebeldes afirmam que os ataques — atribuídos a caças norte-americanos — causaram danos a propriedades civis. Horas depois, o porta-voz militar Yahya Saree anunciou retaliações: um ataque ao porta-aviões USS Harry S Truman no Mar Vermelho e o lançamento de drones contra Tel Aviv. "Responderemos à escalada com mais escalada", prometeu.
O Preço da Solidariedade
A justificativa dos Houthis permanece a mesma desde 2023: pressionar Israel a cessar a guerra em Gaza. Mesmo com o Iêmen enfrentando fome generalizada e 20 milhões de pessoas na pobreza, os rebeldes insistem em manter o bloqueio a navios ligados a Israel no Estreito de Bab el-Mandeb. "É um sacrifício necessário", defendeu um morador de Sanaa em entrevista à Al Jazeera, ecoando o sentimento de parte da população.
EUA na Mira
Desde 15 de março, as forças norte-americanas já realizaram mais de 100 ataques no país, matando ao menos 53 pessoas. A estratégia de Washington, porém, parece ter efeito limitado. "Os Houthis não recuam. Para cada bomba que cai, eles lançam dois drones", analisa um observador local, comparando o conflito a um jogo de xadrez com peças explosivas.
Cenário de Desespero
Enquanto caças riscam o céu, o chão iemenita padece. Quase 7 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda, em um país onde hospitais bombardeados e estradas destruídas são a norma. Ainda assim, os Houthis seguem recebendo apoio tácito do Irã — alvo recente de críticas do presidente Donald Trump, que jurou "derrotar o grupo".
Pergunta que Não Cessa
Diante de um conflito que já matou 377 mil pessoas desde 2015, especialistas questionam: até quando a comunidade internacional assistirá ao desmonte de uma nação em nome de disputas geopolíticas? Para os Houthis, a resposta é clara: "Enquanto Gaza sofrer, continuaremos".
Comentários
Postar um comentário