Inferno na Coreia do Sul: Maior Incêndio da História Devasta Patrimônios e Deixa 26 Mortos

As chamas que consomem a Coreia do Sul desde sexta-feira (23) já são consideradas o pior incêndio florestal da história do país, com 26 mortes confirmadas e mais de 33 mil hectares destruídos – área equivalente a 46 mil campos de futebol. O fogo, iniciado em Sancheong, no norte de Gyeongsang, avançou rapidamente devido a ventos fortes e seca extrema, superando em escala o recorde anterior de 2000 (24 mil hectares).

Helicópteros, chamas e patrimônio em cinzas:
Mais de 120 helicópteros foram mobilizados para combater as labaredas, que já atingiram regiões como Uiseong, Andong e Yeongyang. Entre as vítimas estão quatro bombeiros e um piloto cuja aeronave caiu durante o resgate. Quase 30 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, enquanto o fogo devora marcos culturais como o Templo Gounsa (século VII), onde duas estruturas históricas foram reduzidas a escombros. Até a Vila Folclórica de Hahoe, patrimônio da UNESCO, está sob alerta máximo.

Apesar da previsão de chuva, o ministro Lim Sang-seop alertou: "Menos de 5 mm de precipitação não serão suficientes". Investigadores apontam para causas humanas: desde queimadas em cemitérios até faíscas de equipamentos de solda. A seca agravou o cenário – algumas áreas registraram metade da média histórica de chuvas.

Entre a tragédia e a crítica sistêmica:
O presidente interino Han Duck-soo declarou "situação crítica nacional", mas especialistas questionam a preparação para desastres em um país que prioriza crescimento industrial sobre políticas ambientais. A perda de tesouros centenários simboliza um conflito mais profundo: como equilibrar modernização e preservação em tempos de crise climática?

Enquanto o governo promete "medidas preventivas futuras", sobreviventes como os monges de Gounsa reconstroem altares sob um céu ainda enevoado – cenário que ecoa a ironia de um progresso que, ao descuidar do passado, queima seu próprio futuro.

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