As forças israelenses retomaram nesta quarta-feira a ofensiva terrestre em Gaza, reocupando parte estratégica do Corredor de Netzarim — via que divide o enclave ao meio — para criar uma “zona de segurança” entre o norte e o sul. A movimentação ocorre após o colapso da trégua mediada em janeiro, com Israel acusando o Hamas de rejeitar um novo acordo para libertação de reféns.
A retomada do corredor, abandonado pelo exército israelense no mês passado, bloqueia o movimento de palestinos dentro de Gaza. “A presença militar israelense aqui equivale a uma invasão total”, denunciou Hani Mahmoud, correspondente da Al Jazeera em Gaza. Segundo ele, a área servirá de base para novas operações militares.
Ataques Matam Centenas e Agravam Crise Humanitária:
- Mais de 400 palestinos morreram apenas na terça-feira em bombardeios.
- Nesta quarta, uma funcionária da ONU foi morta em um ataque a um complexo da organização em Gaza Central.
- Hospitais reportam falta de suprimentos devido ao bloqueio israelense a ajuda humanitária, imposto no início de abril.
Disputa pela Trégua:
O Hamas exige que Israel cumpra o acordo original de janeiro, que previa negociações por um cessar-fogo permanente e retirada das tropas. “Por que apresentar novas propostas se já há um acordo assinado com garantias internacionais?”, questionou Taher al-Nono, assessor do líder político do grupo.
Do lado israelense, o ministro da Defesa Israel Katz ameaçou: “Agiremos com uma intensidade jamais vista se os reféns não forem libertados e o Hamas não for eliminado”.
Contexto Explosivo:
- O Corredor de Netzarim, vital para o controle territorial, havia sido abandonado após pressão internacional.
- Israel alega que a reocupação visa “proteger civis”, mas a ONU alerta para limpeza étnica disfarçada.
- Desde o início da guerra, mais de 40 mil palestinos foram mortos, segundo autoridades de Gaza.
Enquanto isso, a população enfrenta fome generalizada e hospitais operam sem energia. “Estamos enterrando corpos em valas comuns por falta de espaço”, relatou um médico em Gaza City. Para analistas, a retomada do corredor sinaliza uma guerra prolongada — e o mundo assiste, impassível.
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