Massacre Sectário na Síria: ONU Denuncia Execuções de Famílias Inteiras

A violência sectária na região costeira da Síria deixou "famílias inteiras executadas", incluindo mulheres e crianças, segundo alertou o escritório de direitos humanos da ONU nesta terça-feira. Os ataques, iniciados na quinta-feira passada, já teriam matado cerca de 1.000 civis — quase 200 apenas em Baniyas —, com alvos prioritários em comunidades alawitas, grupo religioso minoritário no país.

O conflito eclodiu após grupos armados leais ao ex-presidente deposto Bashar al-Assad emboscarem forças de segurança em Latakia, matando 16 agentes. A retaliação degenerou em carnificina: milícias pró-governo invadiram cidades litorâneas e províncias como Hama e Homs, executando civis em ruas, casas e até telhados. Thameen Al-Kheetan, porta-voz da ONU, descreveu cenas de "homens mortos na frente de suas famílias", com indícios de motivação sectária.

O governo interino de Ahmed al-Sharaa criou um comitê de apuração para investigar os crimes, prometendo apresentar conclusões em 30 dias. Yasser al-Farhan, porta-voz do grupo, afirmou que a "nova Síria" busca justiça e fim da impunidade, mas analistas temem que a queda de al-Assad em dezembro passado aprofunde tensões históricas entre alawitas e sunitas.

A Human Rights Watch (HRW) cobrou ações imediatas. Adam Coogle, vice-diretor regional da organização, criticou a "escala chocante de abusos" e exigiu proteção às minorias. Enquanto isso, a ONU já documentou 111 mortes — 18 mulheres e 3 crianças entre elas —, mas alerta que o número real é muito maior.

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