Em um embate retórico que ecoa os campos de batalha do século XIX, Vladimir Putin criticou nesta quinta-feira líderes ocidentais que, segundo ele, insistem em reviver a lógica expansionista de Napoleão Bonaparte. A declaração veio horas após o presidente francês, Emmanuel Macron, classificar a Rússia como "uma ameaça à França e à Europa" e sugerir a expansão do guarda-chuva nuclear francês para proteger aliados da UE.
"Alguns ainda não superaram a derrota de Napoleão", ironizou Putin durante encontro com veteranos de guerra em Moscou, referindo-se à ocupação de Smolensk pelas tropas francesas em 1812. "Esquecem como terminou", completou, lembrando que o exército de 600 mil homens do imperador francês reduziu-se a 40 mil após a retirada desastrosa da Rússia.
O tom foi reforçado pelo chanceler Sergei Lavrov, que comparou Macron ao "estrategista corso" em declaração à imprensa. No Kremlin, o porta-voz Dmitry Peskov classificou o discurso de Paris como "altamente confrontador", insinuando que a França "flerta com a ideia de guerra".
O episódio ocorre em meio à reconfiguração geopolítica europeia após Donald Trump interromper na segunda-feira o envio de armas à Ucrânia e reverter políticas de isolamento russo herdadas de seu antecessor. A medida acelerou discussões na UE sobre alternativas à dependência militar dos EUA – incluindo a polêmica proposta nuclear francesa.
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