Em uma reviravolta diplomática, o presidente Vladimir Putin autorizou a suspensão dos ataques contra alvos de infraestrutura energética na Ucrânia por 30 dias após uma extensa ligação telefônica com o presidente Donald Trump. Segundo o Kremlin, Putin ordenou que o exército russo interrompesse os bombardeios de instalações energéticas, embora não tenha aceitado integralmente a proposta de cessar-fogo mais ampla defendida pelos EUA e pronta para ser implementada pela Ucrânia.
Durante a conversa, o líder russo expressou receio de que tal trégua pudesse permitir a mobilização e rearmamento de tropas ucranianas, aprofundando o conflito que já se estende por dois anos. Putin também deixou claro a condição fundamental para evitar a escalada da guerra e avançar em direção a uma resolução política e diplomática: a cessação completa da ajuda militar estrangeira e da transmissão de informações de inteligência para Kiev.
Em comunicado, a Casa Branca anunciou que os líderes concordaram em iniciar imediatamente conversas sobre uma trégua marítima no Oriente Médio, além de negociações técnicas para a implementação de um cessar-fogo no Mar Negro, visando alcançar uma paz plena e permanente. Trump, em sua plataforma Truth Social, descreveu a conversa como “muito boa e produtiva”, embora ainda não esteja claro se a Ucrânia aceitará suspender seus ataques contra a infraestrutura energética russa.
Ataques a esses alvos têm sido uma constante na invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, provocando cortes de energia que afetam desde o aquecimento e a distribuição de água até o saneamento e a saúde pública. Na região central da Ucrânia, milhares ficaram sem eletricidade após um ataque nacional russo envolvendo mais de 130 drones, que danificaram instalações críticas. Paralelamente, os ataques ucranianos a refinarias, depósitos de petróleo e áreas industriais na Rússia intensificaram-se, chegando a eliminar cerca de 10% da capacidade de refino em semanas de fevereiro, conforme análises de agências de notícias.
Reportando de Washington, DC, Alan Fisher (Al Jazeera) observou que Kiev provavelmente se mostrará cautelosa, temendo que os russos possam aproveitar esse período para conquistar novas áreas. Em Moscou, Dorsa Jabbari (Al Jazeera) destacou que a ligação demonstrou um “certo impulso” na diplomacia, mas ressaltou que os russos exigem garantias de que a Ucrânia não utilizará esse intervalo para se rearmar, condição crucial para qualquer acordo de paz a longo prazo.
Do lado europeu, líderes continuam a reafirmar seu apoio a Kyiv. O ex-chanceler alemão Olaf Scholz e o presidente francês Emmanuel Macron afirmaram, em coletiva em Berlim, que a Ucrânia pode contar com o suporte da Europa, ressaltando a necessidade de um cessar-fogo completo o mais rápido possível para pôr fim à agressão russa.
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