Em uma cena surreal, Donald Trump assinou nesta quinta-feira uma ordem executiva para desmantelar o Departamento de Educação dos EUA, cumprindo promessa de campanha. Cercado por crianças em carteiras escolares – que imitaram seu gesto com canetas de brinquedo –, o presidente declarou guerra à agência federal, acusando-a de “fracasso educacional” e burocracia partidária.
A medida, porém, esbarra em um detalhe crucial: só o Congresso pode fechar um departamento federal. Enquanto republicanos como o senador Bill Cassidy já prometem projetos de lei, democratas e sindicatos professores preparam batalhas judiciais. “Isso vai prejudicar crianças”, disparou Chuck Schumer, líder da minoria no Senado, em rede social.
O Teatro da Canetada: Crianças, Burocratas e uma Contagem Regressiva
A ordem direciona a secretária de Educação Linda McMahon – ex-CEO da WWE e aliada de Trump – a iniciar o desmonte. O plano inclui demissões em massa: metade dos funcionários já aceitou acordos de demissão voluntária, segundo o presidente. “São 50% de burocratas, a maioria democratas”, ironizou, prometendo realocar serviços a outros órgãos.
Fundado em 1979 por Jimmy Carter, o departamento não define currículos, mas gerencia verbas federais, fiscaliza direitos civis em escolas e coleta dados educacionais. Trump, no entanto, o culpa pelos resultados medianos dos EUA em rankings globais como o PISA – onde o país fica atrás de nações como Canadá, mas à frente de Brasil e México.
O Que Risco de Sumir?
Críticos alertam que programas como o Pell Grant (bolsas para estudantes pobres) e proteções a alunos com deficiência podem ser afetados. Rashida Tlaib, deputada democrata, destacou: “Sem o departamento, ninguém garante igualdade de acesso à educação”.
Trump garante que os serviços serão preservados e redistribuídos, mas sua ordem já proíbe verbas para iniciativas de diversidade e inclusão (DEI) – alvos frequentes de sua retórica. Ron DeSantis, governador da Flórida e ex-rival, aplaudiu a medida no local: “Educação deve ser controlada pelos estados”, defendeu.
O Xadrez Constitucional: Uma Batalha no Supremo
Analistas preveem que a disputa acabará na Suprema Corte, onde Trump testará os limites do poder executivo. “É fruta madura para expandir a autoridade presidencial”, explicou Shihab Rattansi, da Al Jazeera, lembrando que o departamento é uma criação recente (década de 70).
Enquanto a Federação Americana de Professores mobiliza advogados, Trump insiste: “Vamos fechá-lo rápido”. Resta saber se a cortina cairá primeiro no departamento – ou no seu próprio plano.
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