Trump e Irã trocam farpas sobre suposta carta não entregue em meio a crise nuclear

A tensão geopolítica entre EUA e Irã ganhou novos capítulos nesta sexta-feira após o governo iraniano negar ter receberto uma carta de Donald Trump destinada ao líder supremo Ali Khamenei. O presidente norte-americano afirmou em entrevista à Fox Business ter enviado o documento para retomar negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas um porta-voz da embaixada do Irã foi taxativo: "Não recebemos nenhuma correspondência".

A declaração de Trump – cuja íntegra do pronunciamento será exibida no domingo – reacendeu o debate sobre a estratégia de pressão máxima adotada por Washington desde 2025. Abbas Araghchi, chanceler iraniano, reiterou a posição de Teerã: "Não há diálogo possível sob sanções estranguladoras", disse à AFP, referindo-se ao embargo ao petróleo e outras medidas que secaram US 18 bilho~es∗∗(cercade∗∗R 18 bilho~es∗∗(cercade∗∗R 100,8 bilhões) em reservas iranianas apenas neste ano.

O impasse remonta ao colapso do Acordo Nuclear de 2015, rompido por Trump em 2018. Em agosto passado, Khamenei surpreendeu ao admitir que "não há mal algum em negociar com o inimigo" – declaração que ecoou a eleição do reformista Masoud Pezeshkian em junho de 2024, defensor de uma reaproximação com o Ocidente. Analistas, porém, veem a suposta carta não entregue como teatro diplomático: "É como convidar alguém para dançar enquanto se pisa em seus pés", comparou um ex-diplomata brasileiro sob anonimato.

O cerne da crise permanece no enriquecimento de urânio a 60% pelo Irã – nível próximo do necessário para armas atômicas. Enquanto Israel reforça ameaças de ataque preventivo, o governo Pezeshkian enfrenta pressões internas de facções conservadoras que rejeitam concessões. Para o editorialista da Folha de S.Paulo Clóvis Rossi Junior, "o jogo de xadrez nuclear tem peças que ninguém quer mover primeiro".

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