Trump Mira Usinas Nucleares Ucranianas: Oferta Polêmica Reacende Fantasma de Chernobyl

Em uma proposta que ecoa o desastre de Chernobyl, o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu durante negociações de paz que a Ucrânia entregue suas usinas nucleares a Washington. A ideia, discutida em ligação com Volodymyr Zelenskyy, foi rebatida pelo líder ucraniano: “Não se trata de mudança de propriedade”, afirmou, referindo-se apenas à ocupada Usina de Zaporizhzhia, a maior da Europa.

A Sombra de 1986: Por que Chernobyl Assombra a Oferta de Trump?

A menção a usinas nucleares na Ucrânia evoca imediatamente o pior acidente nuclear da história. Em 1986, o reator 4 de Chernobyl explodiu, liberando radiação equivalente a 500 bombas de Hiroshima e tornando regiões inabitáveis por milênios. Trump, no entanto, argumenta que a expertise americana em energia traria “proteção máxima” às instalações.

Zelenskyy, em visita à Noruega, esclareceu: a conversa girou apenas em torno de Zaporizhzhia – ocupada pela Rússia desde 2022 e com reatores em desligamento emergencial. “Se os EUA quiserem retomá-la dos russos, modernizá-la, é outra questão”, disse, descartando transferência de posse.

O Jogo Geopolítico: De Ocupação a “Troca” em Potencial

Especialistas ucranianos veem riscos. Ihor Romanenko, ex-vice-chefe do Estado-Maior, alerta para possível sabotagem russa – como o ataque à barragem de Nova Kakhovka em 2023, que cortou água para Zaporizhzhia. “Trump explora nossa fragilidade para controlar a usina”, acusa. Já um ex-funcionário anônimo da planta acredita que Moscou a usará como moeda de troca: “Quanto melhor seu estado, maior o preço”.

Segurança em Xeque: Guardas Chechenos e Combustível Suspeito

A ocupação russa trouxe perigos únicos. Em 2023, a Al Jazeera revelou que guardas chechenos instalaram metralhadoras dentro da usina, ignorando protocolos. “Tratam-na como um bunker, não como uma bomba relógio”, denunciou um trabalhador. Além disso, há preocupações com o combustível – em 2012, modelos da americana Westinghouse danificaram reatores, exigindo resgate de técnicos russos.

Corrupção e “Reatores Zumbis”: O Caldeirão Interno Ucraniano

Organizações como o Bankwatch (República Tcheca) classificam as usinas ucranianas como “reatores zumbis”, pedindo seu desligamento. Em 2021, a especialista Olga Kosharna acusou a estatal Energoatom de comprar peças defeituosas por propina: “Uma falha pode causar um novo Chernobyl”.

Enquanto Trump promete “ajuda técnica sem tropas no solo”, o fantasma radioativo de 1986 paira sobre a proposta. Para a Ucrânia, a lição é clara: nuclear não se negocia – sobrevive-se a ele.

Comentários