A China travou um acordo de US$ 23 bilhões (cerca de R$ 133,4 bilhões) liderado pela gestora americana BlackRock para assumir o controle de portos estratégicos do Canal do Panamá, acendendo um novo capítulo na guerra geoeconômica global. A intervenção da autoridade antitruste chinesa (SAMR) suspendeu a venda da Hutchison Port Holdings – que opera dois dos quatro principais portos do canal – ao consórcio da BlackRock, prevista para abril.
O movimento ocorre após Pequim criticar “hegemonia e coerção econômica” por parte dos EUA, especialmente depois que o Panamá saiu da iniciativa Nova Rota da Seda em fevereiro. “Não permitiremos violações de soberania disfarçadas de negócios”, declarou o Ministério das Relações Exteriores chinês, justificando a investigação da SAMR como proteção aos “interesses públicos globais”.
Por trás dos bastidores, o CEO da BlackRock, Larry Fink, assegurou à Casa Branca que a aquisição não exigiria “uso de força” – referência indireta às ameaças de Donald Trump de “reclamar” o canal. Fontes do Fortune revelaram que o acordo só avançou com apoio explícito de Trump, hoje presidente dos EUA em 2025.
A aposta é alta: o Canal do Panamá movimenta 5% do comércio mundial, com 14 mil navios/ano. Para os EUA, é vital para exportar gás natural e alimentos à Ásia; para a China, a rota é porta de entrada à América Latina, onde busca recursos e mercados. “Quem controla os portos, controla o fluxo”, resume um analista, em um jogo de poder que mistura Wall Street, Pequim e a geopolítica do século XXI.
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