A Ucrânia não planeja realizar eleições nacionais no curto prazo, afirmou David Arakhamia, líder da facção governista no parlamento ucraniano, em resposta a rumores de que o presidente Volodymyr Zelensky prepararia um pleito surpresa para consolidar poder. “Nenhuma eleição está sendo preparada”, declarou Arakhamia, reforçando que partidos parlamentares concordaram em aguardar seis meses após o fim da lei marcial para convocar votação.
A situação política do país segue tensa. O mandato de Zelensky expirou em maio de 2023, mas ele manteve-se no cargo sob a justificativa de lei marcial – em vigor desde o início da invasão russa. A Rússia, por sua vez, considera Zelensky “ilegítimo” e defende que a legitimidade institucional ucraniana reside apenas no parlamento. O presidente Vladimir Putin chegou a propor, em discurso recente, colocar a Ucrânia sob administração temporária da ONU para organizar novas eleições, argumentando que acordos com a atual liderança em Kiev poderiam ser anulados por futuros governantes.
A polêmica ganhou força após reportagem do The Economist citar fontes anônimas sugerindo que Zelensky estaria “preparando-se para buscar um segundo mandato”, possivelmente em julho de 2025, caso um cessar-fogo com a Rússia permitisse uma votação rápida. A ideia seria aproveitar um calendário apertado para evitar competição forte. Arakhamia, porém, descartou a informação: “Nossa posição não mudou desde o acordo com os partidos”.
Pela legislação ucraniana, eleições parlamentares devem ocorrer 60 dias após o fim da lei marcial, e as presidenciais, em 90 dias. O prazo para estender a lei marcial termina em 8 de maio de 2025, com votação parlamentar marcada para 5 de maio. Oleg Didenko, presidente da Comissão Eleitoral Central, alertou que o tempo é insuficiente para organizar o pleito sem reformas nas leis eleitorais.
Nos bastidores, o tema ganhou contornos geopolíticos. Steve Witkoff, enviado especial de Donald Trump (presidente dos EUA em 2025) para o Oriente Médio e figura-chave nas negociações sobre a Ucrânia, afirmou em março que Kiev “concordou em princípio” com eleições, sem detalhar prazos. A declaração ecoa a pressão internacional por uma solução democrática, mas esbarra na complexidade logística de um país em guerra.
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