O Prêmio Nobel da Paz de 2023 foi outorgado à incansável ativista iraniana dos direitos humanos, Narges Mohammadi, de 51 anos, atualmente detida em Teerã sob a acusação de "espalhar propaganda contra o Estado". O anúncio do prêmio, feito pelo comitê norueguês do Nobel, ressalta a coragem de Mohammadi ao apoiar a luta das mulheres iranianas por vidas dignas e plenas, apesar das décadas de perseguição, prisão e opressão.
"Ela apoia a luta das mulheres pelo direito de ter vidas plenas e dignas", declarou o comitê. "Esta luta, em todo o Irã, tem sido alvo de perseguição, prisão, tortura e até morte." Desde seus primeiros passos na universidade, Narges Mohammadi tem sido uma voz contundente em prol dos direitos das mulheres no Irã, enfrentando as adversidades com coragem.
Seu marido, Taghi Rahmani, também enfrentou anos de detenção por seu ativismo político e vive exilado na França com seus dois filhos gêmeos, Ali e Kiana. Rahmani afirma que o prêmio fortalecerá a luta das mulheres: "O mais importante é que este é, de fato, um prêmio para a mulher, a vida e a liberdade."
Após o anúncio do Nobel da Paz, a ONU instou o regime iraniano a libertar Narges Mohammadi. No entanto, a agência de notícias semioficial iraniana, Fars, afirmou que Mohammadi foi premiada por suas "ações contra a segurança nacional", enquanto as autoridades em Teerã permaneceram em silêncio.
Esta não é a primeira vez que Mohammadi enfrenta a prisão por suas convicções. Ela foi presa em 2009 e passou oito anos na prisão antes de ser libertada em 2020. No entanto, sua liberdade foi efêmera, pois ela foi detida novamente em 2021, enquanto participava de uma cerimônia em memória de uma pessoa morta durante os protestos contra o regime islâmico em 2019. Atualmente, Mohammadi cumpre uma pena de mais de 10 anos.
Mesmo atrás das grades, Narges Mohammadi continua sua atuação política. Após a morte de Mahsa Amini, detida pela polícia moral do Irã em setembro de 2022, Mohammadi incentivou protestos e condenou a resposta repressiva de Teerã.
O prêmio Nobel deste ano também reconhece o trabalho do Centro de Defensores dos Direitos Humanos, uma organização não governamental liderada por Shirin Ebadi, advogada e ex-juíza vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2003. O comitê afirmou que a láurea reflete o apoio global às milhares de pessoas que têm protestado contra as "políticas de discriminação e opressão" do regime iraniano.
Narges Mohammadi é a 19ª mulher a receber o Prêmio Nobel da Paz em 122 anos, sendo a última a jornalista Maria Ressa, das Filipinas.
Este anúncio do Nobel da Paz ocorre em meio a relatos de que uma adolescente iraniana ficou em coma após um incidente no metrô de Teerã, supostamente por não usar o hijab, o véu islâmico. As autoridades iranianas negam essas alegações.
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