Berenice Bento: Entre Ataques e Resiliência, a Defesa Incansável pelos Direitos Palestinos

No epicentro de uma tempestade midiática e perseguição política, a renomada professora de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), Berenice Bento, enfrenta a fúria de ataques e difamações enquanto levanta sua voz contra o que descreve como o genocídio do povo palestino. Em uma entrevista exclusiva ao Brasil de Fato DF, Bento destaca a necessidade urgente de a esquerda brasileira retomar as ruas, palco que, segundo ela, foi ocupado nos últimos anos pela extrema direita.

A Luta Além das Redes Sociais: A Chamada às Ruas

Em meio à perseguição sionista e difamação por parte de parlamentares, Berenice Bento ressalta a importância de transcender o ativismo nas redes sociais. "Estar nas ruas com nossos corpos, gritando palavras de ordem, levantando os pulsos, fazendo manifestação em frente aos espaços de poder, como o Itamaraty, o Palácio do Planalto, a Embaixada dos Estados Unidos, é fundamental", declara ela. Para Bento, o ativismo online, por si só, não é suficiente.

A socióloga avalia a dificuldade no Brasil de retomar as ruas como um espaço de luta, não apenas em relação à questão palestina, mas como uma "forma histórica de luta" que permanece relevante. Ela destaca a falta de mobilizações massivas no país em comparação com eventos globais e menciona o acovardamento de deputados e senadores no parlamento, contribuindo para uma esquerda "tímida".

Genocídio Palestino: Um Diagnóstico Urgente e uma Chamada à Ação

Desde a ofensiva do grupo de resistência palestina Hamas contra Israel em outubro de 2023, lideranças políticas e intelectuais de esquerda têm enfrentado perseguições jurídicas, políticas e difamação. Berenice Bento, junto a figuras como o jornalista Breno Altman, o ex-deputado federal José Genoino e a deputada estadual Luciana Genro, enfrenta o fardo de se posicionar a favor do povo palestino.

Ao defender que o diagnóstico de genocídio proclamado pelo presidente Lula seja seguido por "consequências", Bento ressalta uma disjunção entre a análise e a ação no campo da esquerda. "Não se pode normalizar o genocídio", destaca a professora, enfatizando a necessidade de uma resposta contundente diante dos eventos na Palestina.

Solidariedade em Meio à Adversidade

Os ataques contra Berenice Bento atingiram um novo patamar após acusações de antissemitismo em uma página no Instagram, alegando que ela promovia "discursos de ódio" por sua defesa da Palestina. Além disso, a docente foi incluída em uma lista do deputado bolsonarista Gustavo Gayer como uma suposta "terrorista".

Diante dessa adversidade, Berenice Bento destaca a importância das frentes de solidariedade, apoio e indignação que surgiram em resposta às acusações. Instituições como o Sindicato Nacional de Docentes do Ensino Superior (Andes), a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADunB) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB manifestaram seu apoio, enfatizando a necessidade de denúncias e suporte político e jurídico.

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