Relatório da PF Revela: Campanha de Desinformação Sobre Urnas Eletrônicas Iniciou em 2019

A Polícia Federal (PF) divulgou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório impactante, revelando que o grupo de investigados por tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, engajava-se na disseminação de notícias falsas sobre urnas eletrônicas e fraude nas eleições desde 2019.

Contrariando a crença comum de que os ataques à integridade do sistema eletrônico de votação tiveram início após as eleições presidenciais de 2022, a PF, ao coletar provas, identificou que o modus operandi utilizado pelo grupo, conhecido como Gabinete do Ódio, já estava em ação desde 2019. O relatório ressalta que o objetivo era criar a percepção de vulnerabilidade e fraude no sistema eletrônico de votação do país.

O documento afirma categoricamente: "(...) o grupo ora investigado, desde o ano de 2019, utilizava o modus operandi desenvolvido pelo autointitulado GDO (Gabinete do Ódio) para propagar a ideia de vulnerabilidade e fraude no sistema eletrônico de votação do país."

A história remonta a 2018, quando, dez dias após sofrer um atentado durante a campanha presidencial, Bolsonaro, do leito do hospital, iniciou uma ofensiva para desacreditar o processo eleitoral brasileiro. O relatório destaca que Bolsonaro, na época, mentiu sobre o sistema eleitoral, insinuando a possibilidade de fraude.

Em uma live no hospital Albert Einstein, em São Paulo, Bolsonaro declarou: "O receio, em tese, é que em 2018 não apenas tenhamos o voto fraudado para presidente, temos aí o voto para deputado federal". O relatório expõe que Bolsonaro, sem apresentar provas, propagou suspeitas infundadas sobre a integridade do processo eleitoral, alimentando uma narrativa que viria a se intensificar nos anos seguintes.

A PF destaca também o papel de aliados bolsonaristas na disseminação de informações falsas. Um vídeo enganoso, que mostrava uma urna eletrônica autocompletando votos em Haddad, circulou nas redes sociais durante o primeiro turno das eleições de 2018. Mesmo desmentido pela Justiça Eleitoral, Bolsonaro amplificou as suspeitas sem apresentar evidências.

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