Numa revelação perturbadora, pesquisadores mergulharam no universo microscópico das garrafas de água engarrafada nos EUA, desvendando uma realidade ainda mais intrincada do que se imaginava. Três marcas populares foram submetidas a minuciosos testes, revelando não apenas a presença de nanoplásticos, mas também uma quantidade 10 a 100 vezes maior do que as estimativas anteriores sugeriam.
Publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences nesta segunda-feira (8), o estudo redefine o panorama dos poluentes plásticos que ingerimos diariamente. Através de uma técnica avançada de microscopia de espalhamento Raman estimulado, os cientistas identificaram, em média, 240 mil fragmentos de nanoplástico por litro de água, lançando uma sombra sobre o que se acreditava anteriormente.
A Dança Microscópica dos Polímeros
Os nanoplásticos, diminutos fragmentos com dimensões inferiores a 1000 nanômetros, revelaram-se protagonistas ocultos nesse espetáculo tóxico. Sua pequenez permite a penetração direta nos intestinos, pulmões e até na corrente sanguínea, viajando destemidamente até órgãos vitais como o coração e o cérebro. Uma reviravolta na narrativa dos poluentes plásticos, até então centrada nos mais conhecidos microplásticos.
Os cientistas, utilizando a inventiva microscopia de espalhamento Raman estimulado, decifraram um cenário impressionante nas amostras analisadas. Entre 110 mil e 370 mil fragmentos de plástico, predominantemente nanoplásticos, preenchiam cada litro de água. Surpreendentemente, o polietileno tereftalato (PET), material comum em garrafas de água, era eclipsado em quantidade pela presença marcante de poliamida, um tipo de nylon.
O Enigma das Partículas Desconhecidas
Numa virada intrigante, apenas 10% das nanopartículas detectadas pertenciam aos sete tipos de plástico analisados. O restante? Um enigma desconcertante. O poliestireno, policloreto de polivinila e polimetil metacrilato, utilizados em diversas indústrias, também marcaram presença. Contudo, cerca de 90% das partículas permanecem misteriosas, desafiando a compreensão dos cientistas.
Se todas essas partículas obscuras forem nanoplásticos, os números podem atingir dezenas de milhões por litro. No entanto, a complexidade dessas partículas desconhecidas destaca a dificuldade em compreender a verdadeira composição das amostras de água.
Os cientistas agora expandem sua investigação para a água da torneira, já conhecida por conter microplásticos, embora em quantidade inferior. Além disso, planos estão em vigor para explorar a presença desses poluentes invisíveis em amostras de neve e até mesmo em tecidos humanos, colaborando com especialistas em saúde ambiental.
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