Repúdio à Violência Institucional: Pesquisa Revela Sentimento Contrário a Atos Contra os Três Poderes

Um levantamento recente da empresa Quaest lançou luz sobre a postura da população brasileira frente aos eventos que marcaram 8 de janeiro do ano anterior: invasões aos prédios dos Três Poderes. Os dados, coletados entre 14 e 18 de dezembro de 2023, abalizam uma resistência veemente ao tumulto, que se manifesta em uma reprovação esmagadora de 89% dos entrevistados. Enquanto isso, apenas 6% expressam algum grau de aprovação a tais atos.

As informações, que emergem como um sinal de alerta sobre a saúde democrática do país, foram colhidas em 120 municípios brasileiros, totalizando 2.012 entrevistas presenciais com indivíduos a partir dos 16 anos. O estudo, financiado pela Genial Investimentos, possui uma margem de erro de 2,2 pontos percentuais e confiabilidade de 95%.

Em uma análise mais detalhada, a pesquisa mostra que a aversão às invasões transcendeu barreiras geográficas e ideológicas. Tanto eleitores do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, quanto do ex-presidente Jair Bolsonaro, rejeitaram majoritariamente os atos de vandalismo. Nota-se que 94% dos votantes de Lula no segundo turno das eleições de 2022 e 85% dos eleitores de Bolsonaro compartilham dessa desaprovação.

Em relação à influência do ex-presidente Bolsonaro nos eventos de janeiro, os sentimentos são mais divididos: 47% dos entrevistados acreditam que ele teve algum papel na eclosão dos tumultos, enquanto 43% discordam dessa percepção.

Felipe Nunes, diretor da Quaest e cientista político vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais, contextualizou os resultados em um cenário de polarização crescente, salientando a importância de se dissociar o debate sobre os eventos de qualquer matiz partidário. Segundo Nunes, o Brasil conseguiu manter uma distância significativa do tipo de polarização que inflamou debates semelhantes nos Estados Unidos.

Com uma obra recente lançada em parceria com o jornalista Thomas Traumann, intitulada "Biografia do Abismo", Nunes destaca os perigos de uma polarização que não apenas divide famílias, mas também ameaça o tecido democrático do país.

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