Uma operação da Polícia Federal, deflagrada na manhã de quinta-feira (8), mergulha o cenário político brasileiro em uma trama intricada que liga o ex-presidente Jair Bolsonaro, o Partido Liberal (PL) e membros das Forças Armadas a uma tentativa de golpe de estado. A ação, conduzida por determinação do Supremo Tribunal Federal, desdobrou-se em 10 estados brasileiros, resultando em 33 mandados de busca e apreensão, 4 prisões preventivas e o aprofundamento das investigações sobre ações antidemocráticas.
O endereço de Bolsonaro no Rio de Janeiro foi um dos alvos, onde os agentes buscavam seu passaporte, evidenciando a suspeita de conluio para manter o poder de forma antidemocrática. O cientista político Cláudio Couto, da FGV EAESP, destaca que as ações não surpreendem, considerando a trajetória de Bolsonaro, marcada por elogios à ditadura militar, pregação do golpe e ataques às instituições democráticas.
A Polícia Federal não se limitou apenas a busca de informações, mas também cumpriu 48 medidas cautelares, incluindo proibição de contato entre os investigados, entrega de passaportes e suspensão do exercício de funções públicas. Entre os presos estão o coronel Marcelo Costa Câmara e Filipe Martins, ex-assessores de Bolsonaro, além do major do Exército, Rafael Martins de Oliveira.
Conversas divulgadas em relatório da Polícia revelam a orientação do coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, em manifestações e monitoramento do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Um vídeo da reunião de Bolsonaro com ministros, datado de julho de 2022, mostra discussões sobre a minuta do golpe, conforme a decisão de Moraes que desencadeou a operação. Cláudio Couto enfatiza que as evidências dificilmente deixarão os envolvidos impunes.
Ainda, a ação da PF revelou na sede do PL uma minuta de golpe, aumentando a gravidade da situação. Valdemar Costa Neto, presidente do partido, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma. Couto alerta que se a articulação do golpe envolveu a estrutura do PL, o partido pode enfrentar sérias penalizações, inclusive quanto à sua existência.
Além de Valdemar Costa Neto, a operação teve como alvos o ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro em 2022, Walter Braga Netto; o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno; e o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres. Apesar da articulação e dos indícios de participação militar, a ação não se concretizou, graças à reação da sociedade e das instituições, que continuam o processo de investigação.
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