Crise no Governo Argentino após Derrota de Milei no Senado: Presidente Ataca Parlamentares

Na última quinta-feira (14), uma nova derrota parlamentar abalou o presidente argentino Javier Milei, desencadeando uma série de críticas direcionadas à vice-presidente Victoria Villarruel por parte de seus apoiadores. A controvérsia girou em torno da discussão no Senado dos Decretos de Necessidade e Urgência (DNU), um pacote de medidas ultraliberais apresentado por Milei pouco antes de sua posse.

O DNU, composto por uma série de medidas legislativas que permitem ao Executivo legislar sem passar pelo rito tradicional do Congresso, foi rejeitado no Senado argentino por uma margem significativa: 42 votos contrários, 25 a favor e 4 abstenções.

Após a votação, Villarruel enfrentou uma onda de críticas nas redes sociais, sendo atacada pela militância do partido governista A Liberdade Avança. Em uma tentativa de defesa, ela reiterou seu compromisso com Milei, porém, o comunicado divulgado pelo gabinete da Presidência, no qual Milei agradece aos legisladores comprometidos com os interesses nacionais, foi interpretado por alguns como uma crítica velada à vice-presidente.

Apesar de ter proposto a sessão no Congresso, Villarruel tentou articular o adiamento da votação, mas foi surpreendida pela rápida articulação da oposição, que garantiu o quórum e derrubou a proposta.

Em meio à crise, Milei utilizou suas redes sociais para criticar os parlamentares e expressar sua indignação. As críticas foram direcionadas não apenas à oposição, mas também a membros de sua base parlamentar, como Martín Lousteau, presidente da UCR, que votou contra o DNU.

O futuro do DNU agora está nas mãos da Câmara dos Deputados, onde pode enfrentar outra batalha acirrada. Essa é a segunda derrota significativa para Milei em apenas três meses de governo, após a rejeição do pacote ultraliberal conhecido como "Lei Ônibus" pela Câmara dos Deputados no início de fevereiro.

Além das turbulências políticas, a repressão violenta da polícia de Buenos Aires durante os protestos contra os cortes no fomento ao cinema argentino, bem como outras medidas polêmicas, como o fechamento da agência pública de notícias Télam e demissões em massa na empresa Aerolíneas Argentinas, continua a alimentar a tensão social no país.

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