Uma análise alarmante conduzida pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, ligado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), revela uma escalada surpreendente no número de pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo. Entre 2012 e 2023, o total saltou de 3.842 para 64.818, um aumento impressionante de 16,8 vezes.
Os dados contrastam fortemente com as estatísticas oficiais da prefeitura, que, segundo o último censo de 2021, estimava 31.884 pessoas em situação de rua. A discrepância levanta questões sobre a eficácia da coleta de dados pela gestão municipal, com os pesquisadores da UFMG apontando para a pior taxa de atualização do cadastro quando comparada a outras capitais.
A pesquisa utilizou o Cadastro Único (CadÚnico) como referência, alimentado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O aumento não se limita à capital, expandindo-se para municípios do estado, onde o número cresceu de 5.257 em 2012 para 106.857 em 2023.
A prefeitura de São Paulo, ao ser questionada sobre os resultados do observatório, alegou que o CadÚnico é cumulativo e autodeclaratório, podendo gerar distorções na análise. Destacou também o rigoroso trabalho de campo realizado por mais de 200 profissionais no último censo. A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) ressaltou a extensa rede socioassistencial da cidade, com mais de 25 mil vagas de acolhimento, mas não deixou de admitir a realidade preocupante apontada pelos pesquisadores.
O cenário revelado pela pesquisa reflete não apenas o desafio iminente da crise de moradia, mas também a necessidade urgente de revisão e fortalecimento das políticas públicas voltadas para a população em situação de rua, uma tarefa que exige esforços conjuntos e soluções inovadoras.
Comentários
Postar um comentário