No centro das investigações que abalam o cenário político nacional, Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, prestou um novo depoimento à Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira, às 14h. Este encontro, parte de um acordo de colaboração premiada, promete revelar detalhes inéditos sobre as reuniões de planejamento de um suposto golpe de Estado.
A expectativa é que Mauro Cid aborde não apenas as minutas de um decreto golpista encontradas na residência do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, e na sede do Partido Liberal (PL), mas também discuta as intricadas reuniões que delinearam os planos para um golpe. Seu testemunho pode oferecer uma nova perspectiva sobre a participação ativa de Jair Bolsonaro nesses eventos, contrariando declarações anteriores.
Nas últimas investigações, Mauro Cid não afirmou que o ex-presidente estava diretamente envolvido nos planos golpistas. No entanto, informações levantadas pela PF, corroboradas por depoimentos de militares, sugerem o contrário. O ex-comandante da Aeronáutica tenente-brigadeiro, Carlos de Almeida Baptista Júnior, e o ex-chefe do Exército general, Marco Antônio Freire Gomes, apontaram Bolsonaro como o responsável pela convocação de uma reunião para discutir o plano golpista em julho de 2022.
O vídeo de uma dessas reuniões, com mais de 1h30 de duração, apresenta Bolsonaro compartilhando desinformação sobre o funcionamento das urnas, atacando ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e sugerindo a redação de uma nota conjunta para questionar a lisura das eleições. Essa revelação pode ter implicações sérias sobre a conduta do ex-presidente durante seu mandato.
Cabe ressaltar que, se for comprovado que Mauro Cid mentiu nos depoimentos anteriores, seu acordo de delação premiada pode ser cancelado. A homologação desse acordo, conduzida pelo advogado do tenente-coronel, Cezar Bitencourt, foi finalizada em setembro pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, resultando na libertação de Cid, que estava detido desde maio do ano passado por suspeita de fraude em cartões de vacinação.
Essa investigação integra inquéritos que tramitam no STF, incluindo o que apura a atuação das milícias digitais. Além de Bolsonaro, pessoas próximas a ele durante seu governo também estão sendo investigadas no âmbito dessa tentativa de golpe de Estado.
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