Israel Ignora Apelo da ONU e Mantém Ofensiva em Rafah

Ataques Aéreos Continuam em Meio a Clamor Global por Cessar-Fogo

Israel segue com sua ofensiva em Rafah, ignorando uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para "parar o massacre" na cidade ao sul de Gaza.

Na manhã de quarta-feira, novos ataques aéreos foram relatados. Horas antes, testemunhas e uma fonte de segurança palestina informaram que tanques israelenses haviam penetrado no centro de Rafah.

"Estamos presos em casa, pois qualquer movimento é alvo de drones israelenses", disse o morador Abdel Khatib.

Os ataques aéreos israelenses visaram várias partes da cidade, incluindo o entorno do campo Badr e a rotatória Zourob, segundo a agência palestina Shehab.

Foi relatado um corte total nas comunicações e internet em Rafah.

"O exército controla o Corredor Filadélfia e avança para o oeste de Rafah", disse um oficial militar.

Hani Mahmoud, da Al Jazeera, reportou de Deir el-Balah que Israel "continua a mover pessoas de um lugar para outro" em meio aos ataques. Anteriormente, Israel designou Rafah como zona segura, levando mais de metade da população de 2,3 milhões do enclave para a cidade.

Agora, cerca de um milhão de pessoas já deixaram Rafah devido à ofensiva israelense. Aliados de Israel alertaram contra o ataque à cidade, citando o risco de vítimas civis e a crescente crise humanitária.

"Aqueles na zona de evacuação de al-Mawasi buscam abrigo novamente. Mas não há lugar seguro em uma zona de guerra. Bombardeios ocorrem em toda parte, não só em Rafah, mas também em Khan Younis e no restante da Faixa de Gaza", relatou Mahmoud.

"O bombardeio chegou aos arredores do Hospital Kuwait, que está fora de serviço. Todos os hospitais de campo de Rafah, exceto um, também estão fora de serviço", acrescentou.

O presidente dos EUA, Joe Biden, uniu-se aos apelos para que Israel evite uma grande operação militar em Rafah. No entanto, sua administração insistiu na terça-feira que Israel ainda não cruzou suas linhas vermelhas.

"Não vimos eles invadirem Rafah", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby.

Um oficial de defesa civil em Gaza disse que um ataque israelense a um campo de deslocados a oeste de Rafah na terça-feira matou pelo menos 21 pessoas.

O exército israelense rejeitou as acusações de ter realizado o ataque em uma área humanitária designada.

"O [exército israelense] não atacou na área humanitária em Al-Mawasi", disse em comunicado, referindo-se a uma área destinada aos deslocados de Rafah.

No fim de semana, um ataque semelhante que matou 45 pessoas gerou indignação global e levou a Argélia a convocar uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU na terça-feira à noite.

O estado norte-africano usou a reunião para apresentar um projeto de resolução pedindo o fim da ofensiva israelense em Rafah e um "cessar-fogo imediato".

O projeto referia-se à decisão da semana passada da Corte Internacional de Justiça (CIJ) ordenando que Israel interrompesse imediatamente sua ofensiva na cidade.

O embaixador da Argélia na ONU, Amar Bendjama, disse após a reunião do conselho de 15 membros sobre Gaza que o objetivo era "parar a matança em Rafah". A Argélia é membro do conselho para 2024-25.

O conselho estava programado para discutir o assunto novamente na quarta-feira. Diplomatas sugeriram que uma votação poderia ocorrer em alguns dias. No entanto, os Estados Unidos vetaram três tentativas anteriores de garantir uma resolução exigindo cessar-fogo em Gaza.

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