Mudança de tática visa maximizar sentimento anti-EUA devido ao apoio de Washington a Israel
Em uma série de ataques coordenados, homens mascarados saltaram de SUVs e caminhonetes para destruir estabelecimentos comerciais em Bagdá, incluindo uma unidade do KFC. Esses atos de violência são um reflexo da crescente ira contra os Estados Unidos, maior aliado de Israel, em meio à guerra em Gaza.
Na semana passada, grupos militantes apoiados pelo Irã atacaram diversas marcas americanas na capital iraquiana. A violência começou com invasões a franquias de fast food, como Lee’s Famous Recipe Chicken e Chili House, e evoluiu para protestos e explosões, demonstrando uma mudança tática significativa destinada a amplificar o sentimento anti-EUA.
Os ataques, embora não tenham causado ferimentos graves, foram claramente orquestrados por milícias anti-EUA, apoiadas pelo Irã. Tais ações refletem uma intensificação da raiva contra o envolvimento dos Estados Unidos na guerra de Gaza, que já ceifou mais de 36.000 vidas palestinas.
Desde o início do conflito, uma coalizão de milícias iranianas denominada Resistência Islâmica no Iraque realizou dezenas de ataques contra bases que abrigam tropas americanas no Iraque e na Síria. Embora esses ataques tenham cessado em fevereiro, após represálias dos EUA, a recente onda de violência contra marcas americanas visa reforçar a oposição ao apoio de Washington a Israel.
No ataque ao KFC, câmeras de segurança capturaram homens mascarados invadindo o restaurante enquanto trabalhadores e clientes fugiam. Os invasores destruíram tudo o que encontraram pela frente antes de fugir. Em outros incidentes, bombas sonoras foram lançadas contra uma loja da Caterpillar, e manifestantes marcharam até os escritórios da PepsiCo, entoando slogans contra Israel.
As forças de segurança iraquianas agora patrulham os locais atacados, armadas com rifles de assalto e apoiadas por veículos blindados, na tentativa de dissuadir novos ataques. No entanto, figuras de milícias confirmaram que seus apoiadores estão por trás dos ataques, com o objetivo de promover um boicote às marcas americanas e dissuadir sua presença no país.
Abu Ali al-Askari, porta-voz da poderosa milícia Kataib Hezbollah, exortou os apoiadores a expulsarem as "afiliadas de espionagem" israelenses e americanas disfarçadas de civis. Essa retórica alimenta a narrativa anti-EUA e anti-Israel que permeia parte da população iraquiana.
Essa tática de atacar marcas ocidentais é vista como uma manobra política para destacar a rivalidade entre Teerã e Washington, sinalizando que qualquer investimento ocidental no Iraque está em risco. Analistas como Ihsan al-Shammari interpretam esses ataques como uma mensagem clara de que a presença ocidental não é bem-vinda no país.
O primeiro-ministro iraquiano, Mohammed Shia al-Sudani, que chegou ao poder com o apoio de uma coalizão pró-Irã, tem tentado equilibrar sua relação com Washington, sem inflamar as tensões com os aliados anti-EUA. Nos últimos meses, o Iraque e os EUA iniciaram conversas formais para reduzir a presença de aproximadamente 2.000 soldados americanos no país, mantendo um acordo focado no combate ao grupo Estado Islâmico.
Enquanto isso, o Ministério do Interior do Iraque anunciou a prisão de alguns suspeitos envolvidos nos distúrbios e a busca por outros. Contudo, fontes das milícias afirmam que o governo hesita em perseguir os responsáveis, temendo uma escalada. Elas alertam para mais ataques caso a retirada das tropas americanas seja adiada.
A embaixadora dos EUA no Iraque, Alina Romanowski, condenou os ataques às franquias americanas, alertando para o impacto negativo no investimento estrangeiro. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, destacou que esses ataques prejudicam, em última instância, o povo iraquiano, e instou o governo iraquiano a tomar medidas apropriadas para responsabilizar os responsáveis.
O major-general Tahseen al-Khafaji, porta-voz de segurança do Iraque, assegurou que os esforços estão sendo feitos para proteger os investimentos e manter um ambiente seguro para investidores. No entanto, al-Askari advertiu que os oficiais de segurança não devem interferir nos esforços para "eliminar" os interesses americanos no Iraque.
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