O governo das Maldivas anunciou a proibição de entrada de cidadãos israelenses no arquipélago do Oceano Índico, conhecido por suas praias de areia branca e resorts de luxo. A medida, tomada em solidariedade ao povo de Gaza, que enfrenta ataques incessantes e fome generalizada, reflete a crescente indignação pública na nação predominantemente muçulmana.
O presidente Mohamed Muizzu declarou a decisão de "impor uma proibição aos passaportes israelenses", conforme comunicado por um porta-voz de seu gabinete. Embora não tenha especificado quando a nova lei entrará em vigor, Muizzu também lançou uma campanha nacional de arrecadação de fundos intitulada "Maldivianos em Solidariedade com a Palestina".
No ano passado, cerca de 11 mil israelenses visitaram as Maldivas, representando 0,6% do total de chegadas de turistas. Dados oficiais indicam que o número de visitantes israelenses caiu para 528 nos primeiros quatro meses deste ano, uma redução de 88% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Partidos de oposição e aliados do governo nas Maldivas têm pressionado Muizzu a proibir a entrada de israelenses como forma de protesto contra a guerra em Gaza. Desde 7 de outubro, pelo menos 36.439 palestinos foram mortos e 82.627 ficaram feridos no conflito.
Histórico e Reações
As Maldivas suspenderam uma proibição anterior a turistas israelenses no início dos anos 1990 e restabeleceram relações em 2010. No entanto, as tentativas de normalização foram interrompidas após a derrubada do presidente Mohamed Nasheed em fevereiro de 2012.
Em resposta à nova proibição, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel aconselhou os cidadãos israelenses atualmente nas Maldivas a deixarem o país. "Para os cidadãos israelenses que estão no país, é recomendável considerar a saída, pois, se enfrentarem dificuldades por qualquer motivo, será difícil ajudarmos."
Portadores de passaportes israelenses já são proibidos de entrar na Argélia, Bangladesh, Brunei, Irã, Iraque, Kuwait, Líbano, Líbia, Paquistão, Arábia Saudita, Síria e Iêmen. Em março, em uma postagem no X, o Estado de Israel afirmou: "Estamos bem", em resposta a um comentário sobre as proibições de entrada nesses países, que já estavam em vigor antes do início da atual guerra em Gaza.
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