Voyager 1 Restabelece Contato e Retoma Operações Científicas no Espaço Interestelar

Depois de meses de silêncio e mensagens incompreensíveis, a sonda Voyager 1, localizada a 24 bilhões de quilômetros da Terra, voltou a se comunicar normalmente. Este lendário artefato, que detém o título de objeto feito pelo homem mais distante da Terra, finalmente está enviando dados científicos utilizáveis novamente, após meio ano de dificuldades técnicas.

Os cientistas da NASA não esconderam a alegria. "Estamos de volta!", exclamou um post no X (antigo Twitter) da agência espacial em 15 de junho. "Nossa espaçonave Voyager 1 está realizando operações científicas normais pela primeira vez desde novembro de 2023. Todos os quatro instrumentos – que estudam ondas de plasma, campos magnéticos e partículas – estão retornando dados científicos utilizáveis."

Desde novembro de 2023, a Voyager 1 vinha enviando leituras aleatórias e sem sentido, deixando os cientistas perplexos. Acredita-se que o problema tenha origem em um pequeno chip corrompido no sistema de memória da sonda, possivelmente devido à idade avançada ou à influência de partículas energéticas no espaço interestelar.

Devido à tecnologia ultrapassada da Voyager 1, os engenheiros da NASA tiveram que recorrer a manuais da década de 1970 para solucionar o problema. Em 19 de maio, a equipe conseguiu fazer com que dois dos quatro instrumentos científicos a bordo voltassem a enviar dados legíveis para a Terra.

"É como quando falta luz e você precisa reiniciar todos os aparelhos eletrônicos da sua casa... Basicamente, é isso que minha equipe e eu estamos fazendo agora", explicou uma conta oficial da Voyager 1 no X.

Agora, todos os quatro instrumentos científicos a bordo da sonda estão funcionando novamente. As sondas Voyager 1 e sua irmã, Voyager 2, exploram uma região do espaço nunca antes alcançada por objetos feitos pelo homem, tornando qualquer perda de dados uma grande decepção. Essas sondas são a única maneira direta de estudar o meio interestelar, e suas medições já revelaram detalhes importantes sobre a forma do nosso Sistema Solar e a extensão da "bolha solar" do Sol.

Embora muitas vezes se diga que as sondas Voyager "deixaram o Sistema Solar", elas apenas saíram da heliopausa e ainda não chegaram à hipotética Nuvem de Oort, que é considerada a zona mais externa do nosso sistema gravitacional. Infelizmente, ambas as sondas nunca alcançarão essa borda gelada em pleno funcionamento, pois seus geradores a bordo estão perdendo energia gradualmente. A uma velocidade atual, especialistas da NASA preveem que a Voyager 1 levará três séculos para alcançar a Nuvem de Oort e outros 30.000 anos para atravessá-la completamente.

Os engenheiros preveem que a Voyager 1 terá pelo menos um instrumento ainda funcionando até 2025 e poderá continuar se comunicando através da Rede de Espaço Profundo da NASA até 2036, dependendo de quanto poder a sonda terá até lá.

Nos últimos anos, a Voyager 1 tem mostrado sinais de envelhecimento. Além do evento mais recente, em 2022, um computador defeituoso a bordo começou a corromper mensagens enviadas. O problema foi eventualmente corrigido, mas levou vários dias. Mesmo viajando à velocidade da luz, as mensagens de rádio da sonda levam aproximadamente 22,5 horas para chegar à Terra.

A equipe da NASA está agora trabalhando na manutenção do gravador digital de fita da Voyager 1. Este sistema de memória grava apenas 48 segundos de dados de alta taxa três vezes por semana do instrumento de ondas de plasma a bordo.

Isso significa que quando a Voyager 1 perde sua capacidade de se comunicar corretamente, todas as outras informações são perdidas. Quem sabe o que perdemos nos últimos seis meses?

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