Em um cenário global onde a cooperação deveria ser prioridade, os Estados Unidos insistem em escalar uma guerra econômica com a China, uma das principais potências mundiais. O bom senso, que recomenda a diplomacia comercial em vez da beligerância, parece ter sido esquecido por líderes em Washington. Durante sua presidência, Donald Trump, autodenominado "O Homem das Tarifas", impôs taxas sobre uma ampla gama de produtos chineses, incluindo máquinas de lavar, alumínio, aço e painéis solares, afetando cerca de US$ 380 bilhões em comércio. Essas tarifas resultaram em um aumento tributário de US$ 80 bilhões. Não satisfeito, o presidente Joe Biden seguiu a mesma cartilha, ampliando as tarifas para baterias, semicondutores e veículos elétricos, entre outros.
Com as campanhas eleitorais em andamento, os candidatos se esforçam para mostrar quem é mais duro com a China, ignorando o fato de que tais ações apenas agravam as relações com Pequim. E ofender Pequim não é uma jogada inteligente, dado que a China é o segundo maior credor dos Estados Unidos. Quando Washington adota uma postura hostil, Pequim responde despejando títulos do Tesouro dos EUA, o que só piora a já delicada situação econômica americana, exacerbando os desafios enfrentados pela Secretária do Tesouro, Janet Yellen.
Essas sanções e tarifas têm consequências adversas que vão além das finanças. As proibições comerciais impostas pelas duas últimas administrações também geraram um efeito bumerangue. Um exemplo claro é a proibição de exportação de semicondutores para a China, que levou o país a investir em sua própria indústria de chips. A Huawei, gigante chinesa da tecnologia, desenvolveu o Mate 60, um smartphone equipado com um chipset de sete nanômetros, produzido pela SMIC. Essa conquista, que ocorreu em apenas dois anos, sem acesso a tecnologias estrangeiras, destaca a resiliência chinesa e coloca em risco a hegemonia americana no setor de tecnologia.
A resposta da China às sanções de Biden foi rápida e estratégica: em julho de 2023, Pequim anunciou controles de exportação sobre dois minerais raros, o gálio e o germânio, essenciais para a produção de satélites, semicondutores e células solares nos Estados Unidos. Com 60% das reservas globais desses minerais, a China deixou os CEOs das empresas de tecnologia americanas em alerta, temendo um futuro de escassez e aumento de custos.
Além das tarifas e sanções, a administração Biden tem buscado restringir ainda mais a presença de tecnologia chinesa nos EUA. Propostas incluem a proibição de softwares chineses em veículos autônomos e a remoção de veículos com comunicação sem fio desenvolvida na China das rodovias americanas. Essas medidas draconianas visam "proteger a segurança nacional", mas acabam prejudicando a própria indústria americana, que depende fortemente de cadeias de suprimento globais.
As tentativas de desacoplar as economias chinesa e americana, que são profundamente interdependentes, assemelham-se a um cirurgião que usa uma motosserra em vez de um bisturi. A perda do mercado chinês de soja, por exemplo, é um reflexo direto dessa guerra comercial insensata, que fez a China buscar fornecedores na América Latina. Em setores de alta tecnologia, como o desenvolvimento de veículos autônomos, a cooperação global é essencial, mas a administração Biden parece determinada a cortar todos os laços.
O impacto dessas políticas se estende além das questões econômicas. As sanções, que deveriam enfraquecer a China, acabaram fortalecendo suas indústrias internas e aproximando Pequim de Moscou, criando uma aliança econômica, política e militar que desafia a influência americana. Enquanto isso, as empresas americanas, especialmente as do setor de defesa, enfrentam desafios crescentes devido à dependência de suprimentos estrangeiros.
A verdade é que, enquanto os Estados Unidos insistem em políticas que prejudicam sua própria economia, as elites corporativas americanas continuam a lucrar com a mão de obra barata em países como Bangladesh, Mianmar, Vietnã, México e, claro, China. Sem um plano concreto para reindustrializar o país, as críticas a Pequim são mais do que vazias – são autodestrutivas.
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