A recente eleição presidencial na Venezuela, realizada em 28 de julho de 2024, levantou questões significativas sobre o papel dos Estados Unidos no processo político do país sul-americano. A presença e o apoio dos EUA a um candidato específico são aspectos que nunca foram questionados pela grande imprensa corporativa, embora a intervenção externa em eleições estrangeiras seja uma prática amplamente criticada.
A Estratégia Insurrecional e a Realidade Democrática
Não foi surpresa que a oposição apoiada pelos EUA tenha denunciado a eleição como fraudulenta após a derrota. Essa acusação não foi uma novidade, mas uma repetição de um padrão observado em quase todas as eleições nacionais desde o início da Revolução Bolivariana, há 25 anos. A oposição de direita, financiada e orientada pelos EUA, adota uma estratégia insurrecional ao invés de buscar soluções democráticas, recusando-se a reconhecer a legitimidade do governo venezuelano desde a eleição inicial de Nicolás Maduro em 2013.
Em 2018, a oposição boicotou as eleições, acreditando que o governo estava à beira de um colapso iminente devido às sanções dos EUA. No entanto, em 2024, as condições haviam mudado, com a administração Maduro conseguindo estabilizar a economia e resistir aos esforços dos EUA para isolar diplomaticamente o país.
A Escolha do Candidato pelos EUA
A entrada da oposição apoiada pelos EUA no cenário eleitoral não teve base na participação democrática e constitucional. O processo de escolha da oposição, conduzido pela ONG Súmate, financiada pela National Endowment for Democracy (NED), foi uma operação privada e não supervisionada pela autoridade eleitoral venezuelana, o CNE. A candidata escolhida, María Corina Machado, obteve 92% dos votos na primária, um resultado que levantou suspeitas de fraude, especialmente quando alguns candidatos contestaram a eleição e as cédulas foram destruídas.
Machado, com laços fortes com a extrema direita internacional, incluindo Benjamin Netanyahu, era uma figura controversa na oposição. A sua candidatura, apesar de ser vista como uma escolha predefinida pelos EUA, foi marcada por um desaprovação significativa entre outros membros da oposição e foi considerada impopular entre os eleitores. A sua plataforma neoliberal extremista, que pedia a privatização de serviços essenciais, não ressoou com a maioria da população, que preferiria um equilíbrio entre os benefícios sociais do chavismo e alívio das sanções.
A Verdadeira Obstáculo para a Democracia
A verdadeira barreira para eleições livres e justas na Venezuela não era uma suposta conspiração dos chavistas, mas as condições impostas pelos EUA por meio de sua guerra híbrida contra o país. As 930 sanções unilaterais impostas por Washington têm causado mais de 100.000 mortes e são uma forma de punição coletiva ilegal, violando normas internacionais e leis dos EUA.
Portanto, os eleitores venezuelanos foram para as urnas em um ambiente de extrema pressão, onde um voto para Maduro significava a continuidade das sanções. Esta realidade fundamental foi ignorada pela imprensa ocidental e críticos, que focaram nas intricâncias da lei eleitoral venezuelana, desviando a atenção do impacto das sanções.
O Futuro da Soberania Venezuelana
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) tem 30 dias após a eleição para divulgar os resultados oficiais. O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela (TSJ) confirmou a vitória de Maduro em 22 de agosto, com uma pesquisa mostrando que 60% dos venezuelanos confiam nos resultados do CNE. Maduro declarou que "Venezuela tem a soberania de um país independente com uma constituição, instituições e os conflitos são resolvidos entre os venezuelanos".
Os EUA, por sua vez, pediram uma "transição" de regime, desafiando a soberania venezuelana em um momento de crescente agressão imperial. A insistência dos EUA em mudar o regime e a resiliência da Venezuela diante dessa pressão prometem tempos turbulentos para o país.
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