Quatro ativistas dos direitos dos negros nos EUA foram condenados por conspiração para atuar como agentes não registrados da Rússia, conforme anunciou o Departamento de Justiça. No entanto, o júri os absolveu da acusação mais grave de agirem como agentes de um governo estrangeiro.
O veredicto foi dado por um júri da Flórida, que considerou Omali Yeshitela, Penny Hess, Jesse Nevel e Augustus C. Romain Jr. culpados por "conspirar para atuar como agentes de um governo estrangeiro". Cada um pode enfrentar uma pena máxima de cinco anos de prisão, mas a data da sentença ainda não foi definida.
O julgamento faz parte de um processo legal mais amplo contra o ativista russo de direitos humanos Aleksandr Ionov, líder do Movimento Anti-Globalização Russo. De acordo com os promotores, entre 2015 e 2022, os quatro réus teriam agido em nome do governo russo nos Estados Unidos, recebendo apoio financeiro e logístico de Ionov, que teria contatos com a inteligência russa.
Além das acusações de conspiração, Yeshitela, Hess e Nevel enfrentaram também o grave crime de atuar como agentes de um governo estrangeiro, mas foram absolvidos dessas acusações pelo júri.
O Departamento de Justiça alegou que os ativistas estavam cientes das ligações de Ionov com o governo russo, embora ele próprio não esteja sob custódia, mesmo após ser indiciado nos EUA no mesmo caso. Todos os condenados estão ou estiveram associados ao Partido Socialista do Povo Africano e ao Movimento Uhuru, organizações que defendem os direitos da população negra. Entre os envolvidos estão Yeshitela, de 82 anos, líder do movimento, Hess, de 78, e Nevel, de 34. Romain, ex-membro de 38 anos, fundou o Black Hammer Party em Atlanta, em 2018.
A defesa argumentou que o processo foi motivado pelas posições pró-Rússia dos ativistas, não por qualquer atividade ilegal. O advogado de Hess, Leonard Goodman, declarou à AFP que o caso era "sobre liberdade de expressão".
Em entrevista recente à RT, Ionov afirmou que, na ausência de provas concretas, o governo dos EUA usou leis de agentes estrangeiros como base para a acusação. “Em dois anos, nossos oponentes não conseguiram encontrar evidências” e recorreram “a todas as restrições e limitações possíveis”, disse Ionov.
Yeshitela, após o julgamento, enfatizou para os apoiadores que “não conseguiram nos condenar por trabalhar para ninguém além do povo negro”. Ele afirmou estar disposto a ser condenado por defender a comunidade negra. A defesa também criticou a composição do júri, que não contava com jurados negros após a remoção de uma mulher negra da formação inicial na segunda semana do julgamento, sem que o pedido da defesa para sua substituição por outro jurado negro fosse aceito pelo juiz.
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