As políticas de austeridade implantadas pelo presidente argentino Javier Milei têm agravado drasticamente a crise social e econômica no país. Desde sua posse em dezembro de 2023, o autoproclamado “anarcocapitalista” adotou reformas radicais para conter o déficit orçamentário e a inflação crônica, mas os impactos sobre a população têm sido devastadores.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC), a taxa de pobreza saltou para 53%, um aumento expressivo em relação aos 41,7% registrados no segundo semestre de 2023. Isso significa que, atualmente, cerca de 15,7 milhões de argentinos vivem em situação de pobreza. Além disso, cerca de 136 mil empregos foram eliminados desde o início do mandato de Milei.
Uma das principais medidas adotadas foi a desvalorização do peso argentino em mais de 50%, além do corte de subsídios em setores essenciais como energia e transporte. Essas ações, parte de uma "terapia de choque" para reequilibrar a economia, acabaram impulsionando ainda mais a hiperinflação, levando ao aumento exorbitante dos preços e tornando quase impossível para a população adquirir bens básicos.
Apesar dos efeitos devastadores, o governo argumenta que essas medidas evitaram um colapso econômico ainda maior. Manuel Adorni, porta-voz de Milei, defendeu o programa de austeridade, afirmando que “essas ações evitaram que a Argentina se transformasse em um país onde praticamente todos os cidadãos seriam pobres”. O governo também comemorou a queda da inflação mensal para 4% em julho, a mais baixa em dois anos e meio, e a manutenção de seis meses consecutivos de superávit fiscal.
No entanto, o custo social dessas medidas é inegável. Parlamentares da oposição, como Victoria Tolosa Paz, do bloco peronista, criticam a austeridade feroz, alegando que ela está “esmagando as famílias trabalhadoras e os idosos” e aprofundando ainda mais a crise, ao invés de oferecer soluções.
Além do aumento na taxa de pobreza, a popularidade de Milei também tem sofrido com as políticas severas. Segundo a pesquisa da Poliarquía, a aprovação do presidente caiu 7% entre agosto e setembro, alcançando apenas 40%.
Comentários
Postar um comentário