Conflito entre Israel e Hezbollah gera crise humanitária no Líbano

O confronto entre Israel e o Hezbollah intensificou-se dramaticamente, com trocas de ataques aéreos e foguetes, levando milhares de libaneses a fugir de suas casas. O Ministério da Saúde do Líbano informou que 558 pessoas foram mortas até agora, em meio a um cenário cada vez mais caótico.

Na terça-feira, um ataque aéreo israelense atingiu o subúrbio de Ghobeiry, em Beirute, matando seis pessoas e ferindo outras 15. O exército israelense afirmou que o alvo foi um comandante do Hezbollah. Esse foi o segundo ataque em dois dias na mesma região, conhecida por ser densamente povoada.

A onda de violência escalou depois que Israel lançou mais de 1.600 projéteis no sul do Líbano, no Vale do Bekaa, e na própria capital, Beirute, na segunda-feira. Esse bombardeio representa o maior confronto desde a guerra entre Israel e Hezbollah em 2006. Em resposta, o Hezbollah disparou mais de 50 foguetes contra alvos militares israelenses, incluindo a base aérea de Megiddo e uma fábrica de explosivos a 60 km de distância da fronteira. A maioria desses foguetes foi interceptada pelas defesas aéreas israelenses, segundo as autoridades, e não houve relatos de vítimas do lado israelense.

Dentre as áreas atingidas no Líbano, o número de civis mortos é alarmante. Mais de 50 crianças e 94 mulheres perderam a vida desde o início dos ataques, e cerca de 1.835 pessoas ficaram feridas. O Ministério da Saúde destacou que os bombardeios israelenses têm como alvos não apenas áreas residenciais, mas também centros médicos, ambulâncias e veículos de civis que tentam fugir.

Enquanto isso, a ONU manifestou indignação pela morte de dois membros de sua equipe no Líbano. Dina Darwiche, funcionária da agência, foi morta junto com seu filho em ataques na região do Vale do Bekaa. Outro funcionário, Ali Basma, perdeu a vida em Ain Baal, no sul do Líbano.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) alertou que as condições para os civis estão se deteriorando rapidamente. Segundo Matthew Saltmarsh, porta-voz do ACNUR, dezenas de milhares de pessoas fugiram de suas casas nas últimas 48 horas. A maioria segue em direção a Beirute, onde escolas estão sendo convertidas em abrigos improvisados. No entanto, as instalações já estão sobrecarregadas, com relatos de mais de 120 famílias refugiadas em apenas dois prédios escolares.

O governo libanês transformou quase 150 escolas em abrigos temporários, mas a situação está longe de ser resolvida. Muitas das famílias deslocadas vêm tanto do sul do Líbano quanto de subúrbios de Beirute que também foram bombardeados, aumentando ainda mais o número de desalojados internos.

Além da destruição de infraestruturas civis, o Líbano enfrenta uma onda de incêndios causada pelos ataques aéreos israelenses. O Corpo de Defesa Civil do Líbano já combateu 176 incêndios, alguns em áreas agrícolas, outros em aterros sanitários, agravando ainda mais a crise humanitária no país.

No campo diplomático, a comunidade internacional está cada vez mais preocupada com a escalada do conflito. O Secretário-Geral das Nações Unidas e líderes mundiais, reunidos na Assembleia Geral da ONU em Nova York, pediram a imediata desescalada da violência, alertando para o risco de uma guerra em grande escala.

O impacto sobre o tráfego aéreo também foi significativo. Mais de 30 voos internacionais de e para Beirute foram cancelados, afetando milhares de passageiros. Qatar Airways, Lufthansa, Air France e Delta estão entre as companhias que suspenderam suas operações na região, citando preocupações com a segurança.

Em meio ao caos, o chefe de Estado-Maior do exército israelense, Herzi Halevi, afirmou que o exército está preparado para intensificar ainda mais suas ações ofensivas. "Não podemos dar descanso ao Hezbollah", declarou, reforçando a disposição de Israel em continuar com os ataques, apesar das condenações internacionais.

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