Nos últimos 50 anos, a produtividade cresceu mais de 40% acima do aumento da remuneração real dos trabalhadores medianos. Se os salários tivessem acompanhado esse ritmo, como ocorreu nas três décadas após a Segunda Guerra Mundial, os trabalhadores estariam ganhando cerca de 40% a mais do que hoje. Isso significaria que, em vez de um salário típico de R$ 170 por hora, o trabalhador estaria recebendo em torno de R$ 240 por hora, o equivalente a cerca de R$ 480 mil por ano, considerando uma jornada de 40 horas semanais ao longo de um ano inteiro.
Garantir aos trabalhadores uma parte justa desse crescimento deveria ser, e em certa medida tem sido, um tema central nos debates políticos. No entanto, há um esforço contínuo por parte da grande mídia para desviar a atenção das desigualdades dentro da mesma geração, e apontar para os jovens que seus problemas advêm dos benefícios recebidos por seus pais e avós por meio de programas como a Previdência Social e o Medicare.
Os principais veículos de comunicação têm se empenhado em destacar narrativas absurdas de desigualdade geracional, retratando os baby boomers como vilões que supostamente estão tirando vantagem de seus filhos e netos por meio desses programas sociais. Um exemplo recente é uma coluna do New York Times, escrita por Gene Steurele e Glenn Kramon, que reitera essa retórica.
A premissa básica deles é que os baby boomers recebem muito mais da Previdência Social e do Medicare do que contribuíram ao longo de suas vidas. No entanto, essa narrativa se revela bastante distorcida, mesmo de acordo com os próprios cálculos de Steurele.
Segundo Steurele e sua coautora Karen Smith, um trabalhador médio que se aposentar aos 65 anos em 2025 terá pago impostos previdenciários com valor presente de R$ 1,95 milhão, e receberá benefícios com valor presente de R$ 1,97 milhão. Já um trabalhador de alta renda que tenha contribuído com o teto da Previdência Social, atualmente cerca de R$ 800 mil anuais, terá pago R$ 4,76 milhões em impostos, mas receberá benefícios de R$ 3,17 milhões.
Para casais, especialmente aqueles com apenas um cônjuge contribuinte, a relação é ainda mais vantajosa para os beneficiários, embora essa configuração seja incomum. Contudo, em um cenário onde aumentar impostos para quem ganha menos de R$ 2 milhões ao ano é um tabu político, poucos se mostram dispostos a retirar benefícios de aposentados de baixa renda.
Os autores ainda apontam um subsídio maior no Medicare, mas a questão é que esse suposto "subsídio" decorre principalmente dos custos exorbitantes da saúde nos Estados Unidos, que são o dobro dos de outros países ricos sem, no entanto, proporcionar melhores resultados. Pagamos preços inflacionados a empresas farmacêuticas, fornecedores de equipamentos médicos e profissionais de saúde. Os reais beneficiários desses subsídios são esses setores, e não os aposentados.
O verdadeiro problema enfrentado pelos jovens é a concentração de renda no topo da pirâmide, e não o dinheiro destinado aos aposentados por meio da Previdência Social e do Medicare, por mais que o New York Times insista no contrário.
Comentários
Postar um comentário