Egito reforça apoio militar à Somália em meio a tensões com a Etiópia

As relações entre Egito e Somália têm se intensificado em 2023, impulsionadas por um crescente sentimento de desconfiança mútua em relação à Etiópia. Essa aliança se consolidou ainda mais com a chegada de uma segunda remessa significativa de armas egípcias à capital somali, Mogadíscio, no último domingo. O carregamento, que inclui armas antiaéreas e artilharia, foi recebido com grande expectativa, mas também está alimentando novas tensões com a Etiópia.

Em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do Egito, a entrega foi descrita como parte do esforço contínuo do país para fortalecer as capacidades militares da Somália. "Este envio reafirma o papel central do Egito em apoiar os esforços da Somália para desenvolver as capacidades nacionais necessárias para garantir segurança, estabilidade e desenvolvimento ao seu povo", declarou a nota oficial.

Essa é a segunda vez em décadas que o Egito fornece ajuda militar de grande porte à Somália. A primeira entrega ocorreu em agosto, logo após os dois países firmarem um pacto de segurança conjunto. Desde então, o governo egípcio tem intensificado o envio de armas para o país africano. Este apoio tem sido visto como uma resposta às crescentes divergências que ambos os países mantêm com a Etiópia.

A chegada da embarcação egípcia carregada de armamentos foi cercada por medidas de segurança reforçadas. De acordo com fontes portuárias e militares, estradas e áreas ao redor do porto de Mogadíscio foram bloqueadas para garantir a movimentação das armas até o Ministério da Defesa somali e bases militares próximas.

Essa aproximação entre Egito e Somália está diretamente ligada à desconfiança mútua em relação à Etiópia. Em janeiro, a Etiópia irritou o governo somali ao firmar um acordo preliminar com a região separatista da Somalilândia, prometendo alugar terras para a construção de um porto em troca do possível reconhecimento da independência da região. Esse acordo foi visto por Mogadíscio como uma violação de sua soberania e intensificou as tensões com o governo etíope.

Além disso, a presença de aproximadamente 3 mil soldados etíopes em solo somali, como parte da Missão de Transição da União Africana na Somália (ATMIS), tem sido outro ponto de discórdia. A Somália exige a retirada completa das tropas etíopes até o final do ano, caso o acordo com a Somalilândia não seja revogado.

Enquanto isso, o Egito mantém uma longa disputa com a Etiópia devido à construção de uma enorme barragem nas nascentes do rio Nilo, um projeto que Cairo considera uma ameaça a seus recursos hídricos. Em diversas ocasiões, o presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi, reiterou o compromisso do Egito em apoiar a Somália. Durante uma coletiva de imprensa em janeiro, ao lado do presidente somali Hassan Sheikh Mohamud, el-Sisi afirmou que "o Egito não permitirá que ninguém ameace a Somália ou comprometa sua segurança."

O governo egípcio também tem mostrado interesse em contribuir com tropas para uma nova missão de paz na Somália, proposta pela União Africana em julho, embora até o momento não tenha feito uma declaração oficial sobre o tema.

Essa crescente aliança militar entre Egito e Somália parece destinada a aprofundar ainda mais as divisões com a Etiópia, que já enfrenta desafios internos e externos em sua tentativa de equilibrar seus interesses regionais.

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