O governo dos Estados Unidos está considerando a possibilidade de suspender as restrições sobre o uso dos mísseis ATACMS fornecidos a Kiev, permitindo ataques em território russo. A mudança, segundo informações da Axios, seria anunciada pelo Secretário de Estado, Antony Blinken, durante visita à Ucrânia com seu homólogo britânico, David Lammy.
As restrições iniciais visavam evitar a percepção de que os EUA e seus aliados estavam diretamente envolvidos no conflito, enquanto forneciam suporte militar substancial à Ucrânia, estimado em mais de US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão). Desde maio, o governo ucraniano vem pressionando para que essas limitações sejam removidas.
Segundo o congressista republicano Michael McCaul, presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos EUA, Blinken e Lammy devem discutir o novo posicionamento com autoridades ucranianas em Kiev. “Conversei com Blinken há dois dias, e ele está indo a Kiev para basicamente dizer que vão permitir [o uso dos ATACMS contra a Rússia]”, afirmou McCaul em entrevista na última sexta-feira.
Matt Miller, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, confirmou a viagem de Blinken a Kiev para reafirmar o apoio contínuo à defesa ucraniana, mas não detalhou mudanças específicas na política. Já Blinken, em declarações durante uma coletiva em Londres, sugeriu que o governo norte-americano está reconsiderando a questão, especialmente após alegações de que o Irã teria fornecido mísseis balísticos à Rússia.
O presidente Joe Biden, questionado sobre o uso de mísseis de longo alcance pela Ucrânia, confirmou que a decisão está em análise. A expectativa é que Biden discuta a questão com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer durante reunião em Washington.
Apesar das alegações, o Irã nega qualquer envolvimento no fornecimento de armas à Rússia. Autoridades iranianas classificaram as acusações como uma forma de guerra psicológica. Já a Rússia, por meio de seu embaixador na ONU, Vassily Nebenzya, acusa o Ocidente de envolvimento direto no conflito ucraniano.
Enquanto isso, a Ucrânia continua a atacar alvos em solo russo, utilizando drones que já atingiram áreas próximas ao Kremlin e, mais recentemente, um prédio residencial na região de Moscou, resultando em uma morte e três feridos.
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