EUA Consideram Liberação de Mísseis de Longo Alcance à Ucrânia, Aumentando Risco de Conflito Direto com a Rússia
O governo Biden está avaliando a possibilidade de autorizar o uso, pela Ucrânia, de sistemas de ataque de longo alcance fornecidos pela OTAN para atingir alvos em território russo. Essa medida, carregada de riscos, poderia transformar o atual conflito por procuração entre Rússia e OTAN em uma guerra aberta, com potencial de arrastar os EUA, alerta o ex-analista da CIA, Larry Johnson.
Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que existe uma "alta probabilidade" de que a decisão de permitir o uso desses sistemas já tenha sido tomada, e que o governo Biden estaria apenas tentando "formalizar" essa medida por meio de uma campanha midiática. A declaração veio após comentários de Biden sobre a possível remoção de restrições para que a Ucrânia utilize suas armas de longo alcance em ataques dentro da Rússia.
Entre os armamentos entregues a Kiev, ou sob discussão, estão:
ATACMS: Sistema tático de mísseis com alcance de até 300 km, lançado por veículos M270 e M142 HIMARS, amplamente usados pela Ucrânia. Embora vulneráveis, esses lançadores permanecem perigosos por sua capacidade de atirar e mover-se rapidamente.
JDAM-ER: Kit que converte bombas comuns em mísseis guiados com alcance de até 70 km, permitindo ataques aéreos sem que as aeronaves ucranianas se aproximem das defesas russas.
ADM-160 MALD: Míssil de engodo, sem ogiva, projetado para distrair defesas aéreas, com alcance de até 930 km, geralmente lançado de caças MiG-29 da era soviética.
AGM-88 HARM: Míssil ar-terra com diversas capacidades de orientação, incluindo GPS, e alcance de 25 a 300 km. A arma foi adaptada para ser disparada pelos jatos ucranianos e é utilizada para atacar sistemas de radar russos.
A recente especulação envolve o AGM-158 JASSM, um míssil de cruzeiro de longo alcance capaz de atingir alvos a até 925 km, que pode ser disparado pelos recém-chegados F-16 da Ucrânia.
Autoridades russas já alertaram repetidamente sobre as consequências do fornecimento de mísseis de longo alcance à Ucrânia. Em junho, o presidente Vladimir Putin advertiu que quanto mais sistemas ocidentais de longo alcance forem enviados a Kiev, mais longe a Rússia será forçada a empurrar a ameaça para longe de suas fronteiras, criando uma “zona de amortecimento”.
Confronto Crescente entre OTAN e Rússia
Para Larry Johnson, o governo Biden continua rompendo suas próprias linhas vermelhas na tentativa de evitar uma derrota na Ucrânia antes das eleições de novembro. “Os EUA não podem se dar ao luxo de perder na Ucrânia, e estão tomando decisões perigosas e imprudentes que podem, na verdade, ampliar o conflito e envolver diretamente os americanos,” disse Johnson.
Segundo o analista, o risco de expandir a guerra com o envio de mísseis mais potentes é real. “Se os EUA fornecerem mísseis maiores ou com maior alcance, como o ATACMS ou o JASSM, os centros logísticos fora da Ucrânia, usados para armazenar esses mísseis, podem se tornar alvos, expandindo o conflito.”
Johnson adverte que, em vez de ajudar a Ucrânia, a liberação desses armamentos pode resultar no efeito oposto, ampliando a guerra de uma maneira que envolverá os EUA diretamente, mergulhando o mundo em um território novo e extremamente perigoso.
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