O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, abriu a conferência anual do Partido Trabalhista com uma promessa firme: proteger os serviços públicos e descartar qualquer medida de austeridade, num claro esforço para consolidar o apoio popular enquanto enfrenta críticas crescentes. A conferência, realizada em Liverpool, é a primeira do partido em 15 anos como governante e ocorre poucos meses após a vitória esmagadora nas eleições gerais contra os conservadores.
Durante os quatro dias de evento, o partido buscará equilibrar a celebração da vitória com a defesa de decisões difíceis, incluindo o polêmico corte no auxílio de combustível para idosos no inverno e a aceitação de doações para roupas e hospitalidade, o que tem atraído críticas ao governo. Starmer, porém, permanece firme em sua linha: não vai adotar um caminho de austeridade, mesmo com os cortes previstos no orçamento de outubro e o aumento de impostos.
Ele reforçou essa posição ao afirmar que “as decisões difíceis virão primeiro”, mas que os serviços públicos serão preservados. Starmer assegurou que o aumento de impostos não recairá sobre a classe trabalhadora, numa tentativa de proteger seu eleitorado mais vulnerável e consolidar a imagem de um governo comprometido com a justiça social.
Desgaste na popularidade
Apesar de a conferência trazer um impulso moral necessário para o Partido Trabalhista, Starmer enfrenta um declínio significativo em sua popularidade. Segundo uma pesquisa do Opinium para o jornal Observer, apenas 24% dos britânicos aprovam sua gestão, um número alarmantemente baixo em comparação aos resultados de julho.
Esse desgaste coincide com revelações de que Starmer recebeu mais de 100 mil libras em presentes e hospitalidade desde 2019, o maior valor entre os parlamentares. Embora os presentes estejam dentro das normas parlamentares, o episódio ocorreu no momento em que o governo prega sacrifícios a curto prazo para corrigir o déficit orçamentário deixado pelos conservadores, estimado em 22 bilhões de libras (cerca de R$ 133 bilhões).
Na abertura da conferência, Angela Rayner, vice-primeira-ministra e responsável pelas áreas de habitação e comunidades, adotou um tom otimista, prometendo "reconstruir as bases e colocar o Reino Unido de volta no caminho do crescimento". O secretário de Relações Exteriores, David Lammy, também ecoou o otimismo com o slogan: "A mudança começa agora".
Ainda assim, pressões internas continuam. Sharon Graham, secretária-geral do sindicato Unite, com mais de um milhão de membros no Reino Unido e na Irlanda, criticou a decisão de Starmer de limitar os pagamentos de auxílio combustível, exigindo que ele reverta a política. “É uma medida cruel”, disse Graham, pedindo que o governo corrija o que considera um erro prejudicial para os pensionistas.
Starmer justificou suas decisões difíceis alegando que os conservadores deixaram um buraco de 22 bilhões de libras nas finanças públicas, acusação que o Partido Conservador nega enfaticamente.
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