Pela primeira vez, as marinhas dos Estados Unidos e da China estão participando juntas de exercícios militares liderados pelas Forças Armadas do Brasil, de acordo com a Marinha brasileira, citada pelo jornal South China Morning Post.
A "Operação Formosa", um dos maiores exercícios militares da América Latina, ocorre desde 1988 nas proximidades da cidade de Formosa, em Goiás. O nome do exercício não tem relação com a denominação histórica de Taiwan. Cerca de 3.000 militares de vários países, como Argentina, França, Itália, México, Nigéria, Paquistão, República do Congo e África do Sul, estão envolvidos nas manobras, que começaram na semana passada e se encerram em 17 de setembro.
Segundo um porta-voz das Forças Armadas do Brasil, a edição deste ano conta com a participação de 33 militares da Marinha da China e 54 da Marinha dos EUA. Em 2022, os EUA enviaram tropas do Comando Sul, enquanto a China participou como observadora.
“A prática de convidar nações amigas para esses exercícios é uma tradição”, afirmou a Marinha do Brasil. “Esses convites são importantes para promover maior integração entre a Marinha brasileira e as forças de nações parceiras.”
Os exercícios simulam operações anfíbias, onde navios de guerra realizam ataques em uma região costeira hostil e planejam desembarcar em uma praia designada. Desde 2016, as forças armadas chinesas e americanas não realizavam manobras conjuntas; a última vez foi durante o Rimpac, um exercício naval multinacional liderado pelos EUA no Pacífico, do qual a China participou com cinco navios de guerra e cerca de 1.200 militares. No entanto, o Pentágono interrompeu novos convites devido à militarização chinesa de áreas disputadas no Mar do Sul da China.
Além da participação na Operação Formosa, a China também está envolvida nos exercícios navais "Oceano-2024" da Rússia. Segundo o presidente russo Vladimir Putin, essas são as maiores manobras navais da história moderna do país, realizadas simultaneamente nos oceanos Pacífico e Ártico, além dos mares Mediterrâneo, Cáspio e Báltico. Envolvendo mais de 400 navios, 120 aeronaves e cerca de 90.000 militares, as manobras contam com quatro embarcações e 15 aeronaves do Exército de Libertação Popular da China. Representantes de outros 15 países foram convidados como observadores.
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