O Kremlin manifestou insatisfação com o uso do nome de Vladimir Putin na política interna dos EUA, conforme declarou o porta-voz Dmitry Peskov. Questionado na quarta-feira sobre declarações feitas pela candidata democrata Kamala Harris durante o debate com Donald Trump, Peskov destacou que Moscou vê com desagrado a utilização do líder russo como ferramenta na disputa política americana.
Na noite de terça-feira, durante o debate na Filadélfia, Harris afirmou que Putin “devoraria Trump no almoço”, ressaltando seu compromisso com a OTAN e a Ucrânia. A reação do Kremlin foi imediata: “O nome de Putin está sendo usado como um dos instrumentos na luta política interna dos Estados Unidos”, declarou Peskov. “Não gostamos disso. Esperamos que deixem o nome do nosso presidente fora disso.”
Além das declarações de Peskov, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, foi ainda mais longe, desdenhando o debate americano como algo irrelevante. Para ela, o embate entre Harris e Trump parecia mais com uma luta de wrestling no Titanic, sugerindo que o desfecho não teria importância minutos antes da colisão do navio com o iceberg.
Putin, por sua vez, já havia expressado em ocasiões anteriores uma preferência peculiar por Kamala Harris, destacando seu “riso contagiante” como indicativo de uma personalidade de bom humor, menos inclinada a adotar políticas agressivas contra a Rússia. No entanto, Peskov não esclareceu se o comentário de Putin tinha um tom sério ou sarcástico, o que gerou diversas interpretações entre analistas.
Moscou insiste que não possui interesse em influenciar eleições estrangeiras, incluindo as americanas, e que respeitará qualquer escolha feita pelos eleitores. Para o Kremlin, as referências a Putin nas disputas políticas americanas refletem a profunda polarização interna do país e a falta de respeito ao líder russo como um ator neutro na cena internacional.
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