Por que Benjamin Netanyahu tornou-se o ícone admirado por uma direita racista, neofascista e neonazista na Europa e ao redor do mundo? A resposta não é difícil de encontrar: esses grupos se veem nele, reconhecendo que ele é “carne de sua carne”. Não se trata apenas de suas ações bélicas, que transformaram Israel sob sua liderança no modelo ideal para seus sonhos (e nossos pesadelos). A celebração e identificação desses indivíduos com Netanyahu também se deve ao seu fascismo puro, enraizado em suas origens, formação e mentores.
Em suma, os grandes líderes da emergente Internacional Marrom — o americano Trump, o russo Putin, o indiano Modi, e os latino-americanos Milei e Bolsonaro — compreendem o que os políticos (neo)liberais tentam ignorar: Netanyahu não os apoia por conveniência ou tática, mas por uma atração mútua. Ele se identifica com eles, com sua ideologia e sua predileção pela violência física.
A trajetória política de Netanyahu foi impulsionada por Yitzhak Shamir, especialmente durante o mandato deste como Primeiro-Ministro de Israel (1986-1992) e líder do Likud, partido de extrema direita no governo. A afinidade eleitoral entre ambos era evidente desde o início, quando Shamir nomeou Netanyahu, então embaixador de Israel na ONU, como seu ministro de Relações Exteriores, antes de passar a presidência do Likud a ele em 1993. Assim, não é surpreendente que Netanyahu sempre tenha considerado Shamir não apenas seu “protetor”, mas também seu mentor ideológico.
Desde sempre, Netanyahu se apresentou como um seguidor da ideologia de Shamir, assumindo o papel de sucessor político. Mas que ideologia era essa que Shamir defendeu ao longo de sua vida? O ponto de partida pode ser traçado quando Shamir assumiu a liderança da organização paramilitar sionista Lehi, após a execução de seu fundador, Avraham Stern, pela polícia britânica em 1942. Segundo o resumo da Wikipedia, Lehi era um grupo de extrema direita, cuja influência era notoriamente ligada ao fascismo italiano. As teses da organização afirmavam que as fronteiras de um Estado judeu deveriam se estender do Nilo ao Eufrates, e que a população árabe deveria ser deslocada.
Após a morte de Stern, Lehi se fragmentou, mas todos concordavam na utilização do terrorismo como meio de ação. Assim, seus líderes, incluindo Shamir, defendiam operações terroristas de grande escala, que resultaram em milhares de mortes entre britânicos, árabes e até judeus.
Agora, ao considerar as associações atuais de Netanyahu com neofascistas e antissemitas, a perplexidade parece paralisante. Como um Primeiro-Ministro de Israel pode manter laços com tais indivíduos, celebrando-os como aliados privilegiados dos judeus contra… antissemitas? O que une essas figuras históricas do sionismo de direita é sua disposição em propor alianças com Hitler e Mussolini.
Diante disso, seria surpreendente que Netanyahu, seu pai e seus mentores cultivassem laços com a escória internacional de anticomunistas e racistas, que são igualmente antissemitas? Na verdade, não. Seu modelo foi o pai do revisionismo sionista, Ze’ev Jabotinsky, que fez alianças com nacionalistas ucranianos que perpetraram massacres contra judeus.
O pai de Netanyahu, que trabalhou para Jabotinsky, apoiou Abba Ahimeir, que propôs uma liderança fascista sobre um partido sionista. Ahimeir, colaborador próximo, cultivou laços com o fascismo italiano, embora não tivesse os mesmos vínculos com a Alemanha nazista.
A situação se agrava quando consideramos que Avraham Stern, o fundador de Lehi, enviou uma carta a Hitler propondo uma aliança, mesmo ciente da perseguição nazista aos judeus. Essa falta de escrúpulos é uma característica comum entre os ideólogos de direita, que se refletem nas alianças de Netanyahu com a extrema direita global.
Aqueles que se dizem surpresos com a “falta de um projeto” de Netanyahu ou não compreendem por que ele, um judeu, se alia a fascistas e antissemitas, são hipócritas. Netanyahu tem um projeto bem definido: exterminar e expulsar palestinos em busca de construir um “Grande Israel”. As alianças com a extrema direita não são incompreensíveis, pois Netanyahu é um fascista de sangue puro, tornando-se um dos pilares dessa Internacional Marrom, que representa a maior ameaça à humanidade atualmente.
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