Ataque aéreo israelense no campo de refugiados de Tulkarem mata ao menos 18 palestinos

Uma ofensiva aérea conduzida por Israel no campo de refugiados de Tulkarem, na Cisjordânia ocupada, deixou ao menos 18 mortos, de acordo com o Ministério da Saúde da Palestina. O ataque, ocorrido na quinta-feira, foi realizado por caças israelenses em coordenação com o serviço de segurança interna de Israel, o Shin Bet, segundo o exército israelense.

Em comunicado oficial, as Forças Armadas de Israel afirmaram que o alvo principal do ataque era o líder da infraestrutura do Hamas em Tulkarem, embora o grupo palestino não tenha respondido imediatamente à alegação.

O bombardeio, conduzido por um caça F-16, causou devastação no campo, que abriga mais de 21 mil pessoas em uma área de apenas 0,18 quilômetros quadrados, de acordo com a ONU. Vídeos verificados pela agência Sanad da Al Jazeera mostraram escombros espalhados e focos de incêndio, enquanto equipes de resgate se apressavam para socorrer os feridos.

As operações militares de Israel na Cisjordânia têm se intensificado desde que o país iniciou sua campanha militar contra a Faixa de Gaza em outubro de 2023. Entre outubro do ano passado e o final de setembro deste ano, 695 palestinos foram mortos na Cisjordânia, segundo dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). A maioria dessas mortes foi causada pelo exército israelense, enquanto alguns palestinos foram mortos por colonos israelenses.

Relatando de Amã, na Jordânia, a repórter Nour Odeh, da Al Jazeera, destacou que este foi "o maior e mais letal ataque aéreo visto na Cisjordânia ocupada em mais de 20 anos". Segundo ela, nem mesmo durante a Segunda Intifada houve um ataque de tal magnitude em uma área densamente povoada e empobrecida como o campo de Tulkarem.

O presidente palestino Mahmoud Abbas condenou o ataque, classificando-o como um "crime hediondo" contra civis. O porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeineh, afirmou que a ofensiva faz parte de um padrão de "genocídio" contra o povo palestino, tanto na Cisjordânia quanto na Faixa de Gaza.

No mês passado, a relatora especial da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, alertou que Israel havia intensificado suas operações militares no norte da Cisjordânia, resultando em uma "escalada perigosa". Segundo Albanese, a ofensiva israelense faz parte de um processo de eliminação, substituição e expansão territorial.

Além das mortes no campo de Tulkarem, mais de 41.700 palestinos foram mortos em ataques israelenses na Faixa de Gaza desde o início do conflito em outubro. O Líbano também tem sido alvo de ataques aéreos e terrestres de Israel nas últimas semanas, após um ano de confrontos esporádicos entre as forças israelenses e o grupo Hezbollah, o que resultou na morte e deslocamento de milhares de pessoas.

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